"Cão sem plumas", de Deborah Colker, volta ao Recife

Sessões do espetáculo ocorrem ao longo deste final de semana no Teatro Guararapes

Montagem conta com projeções de vídeos realizados pelo cineasta Claudio AssisMontagem conta com projeções de vídeos realizados pelo cineasta Claudio Assis - Foto: Arthur de Souza

Quando estreou "Cão sem plumas", Deborah Colker ouviu de muita gente que essa era a mais brasileira de suas obras. "Fiquei resistindo a essa classificação por algum tempo, mas hoje vejo que não tem jeito. A brasilidade pulsa nesse trabalho como em nenhum outro", afirma a coreógrafa carioca. Inspirado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), o espetáculo nasceu em solo pernambucano, em junho do ano passado. Após passar por diversas cidades brasileiras, ele volta ao ponto de partida neste final de semana, com duas sessões no Teatro Guararapes (Centro de Convenções): sábado (17), às 21h, e no domingo (18), às 20h.

"Essa é, realmente, um montagem diferente de tudo o que eu já tinha feito. Vejo isso na reação das pessoas. É como se elas tivessem recebido uma paulada, um soco no estômago. Não há nenhum momento de relaxamento", observa a artista. Assim como no texto do poeta pernambucano, que aborda aspectos geográficos e sociais do Capibaribe, o espetáculo descreve mazelas humanas e naturais vistas no curso do rio. "Apesar de ter essa força toda, não é uma obra para baixo, que só lamenta. Eu acredito nesse 'homem-caranguejo', que é capaz de transformar a lama em algo maravilhoso", defende.

Em turnês pelo Nordeste, "Cão sem plumas" já passou por Salvador, Maceió e, após o Recife, segue para Natal, Sobral, Fortaleza, João Pessoa e Aracaju. "Fazer em Pernambuco de novo dá um friozinho na barriga. O espetáculo nasceu aqui, e a estreia foi muito intensa. Sinto que a plateia desceu o Capibaribe com a gente", relembra. Mas a companhia que alcançar lugares mais distantes com a montagem. Em outubro, está confirmada uma temporada nos Estados Unidos. Deborah também pretende passar por países da Europa, no segundo semestre. "Com certeza, o poema é universal e atemporal. Ele parte desse rio brasileiro, mas acaba falando de todos os rios do mundo e de todos os excluídos que vivem à margem", declara.

Leia também:
CRÍTICA: "Cão sem plumas", da Cia de Dança Deborah Colker, mergulha em nossas origens
Dança: extravasando as emoções
Deborah Colker detalha montagem de "O cão sem plumas"

O processo de criação do espetáculo durou três anos e meio. Durante o período, a coreógrafa fez diversas viagens até o estado de Pernambuco. Na última delas, trouxe seu elenco para uma residência em diversos munícipios, que culminou em uma apresentação no Capibaribe, em novembro de 2016.

No palco, a dança se funde ao audiovisual, com projeções de vídeos produzidos pelo cineasta pernambucano Cláudio Assis. "Foi um trabalho de direção longo e intenso. Pela primeira vez, trabalhei com a interferência de outro diretor e usando esse recurso do cinema", comenta. Por ora, a carioca prefere não falar sobre novos projetos, mas adianta: "tenho algumas coisas na cabeça. Talvez, não demore tanto tempo para mostrarmos algo novo dessa vez".

Serviço:
Espetáculo "Cão sem plumas"
Quando: sábado (16), às 21h, e domingo (17), às 20h
Onde: Teatro Guararapes (Centro de Convenções de Pernambuco - Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n, Salgadinho, Olinda)
Quanto: R$ 140 (plateia 1), R$ 120 (plateia 2), R$ 100 (plateia 3) e R$ 60 (balcão)
Informações: (81) 3182-8020

Veja também

Mauricio de Sousa celebra 60 anos de Cebolinha: 'Orgulhoso pelo filho que eu criei'
Quadrinhos

Mauricio de Sousa celebra 60 anos de Cebolinha: 'Orgulhoso pelo filho que eu criei'

Artes visuais: como curadores e galeristas escolhem novos talentos no Recife
Artes Visuais

Artes visuais: como curadores e galeristas escolhem novos talentos no Recife