Capoeira busca reconhecimento em Pernambuco

Manifestação da cultura popular ganha segunda edição de seminário, enquanto projeto de lei busca seu fortalecimento no Estado

Mestres daqui e de outras cidades brasileiras comentam suas vivências no evento, no Centro EstácioMestres daqui e de outras cidades brasileiras comentam suas vivências no evento, no Centro Estácio - Foto: Divulgação

O 2° Festival e Seminário "Capoeira Em Evolução: Preservando sua Essência", que ocorre sexta-feira (23) e sábado (24) no Centro Universitário Estácio do Recife, no Prado, endossa um coro de reivindicações que buscam divulgar e preservar a Capoeira. Pois tramita na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) um projeto de lei tornando possível o reconhecimento da manifestação artística como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, de autoria do Deputado Estadual Zé Maurício (PP). Embora seja considerado tanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), desde 2008, e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), desde 2014, como Patrimônio Cultural Imaterial, a Capoeira não obtem o mesmo reconhecimento em Pernambuco.

"A importância da Capoeira é imensa para a cultura e ao cotidiano das pessoas, já que também possui um forte viés pedagógico", comenta Mestre Pácua, que por cinco anos esteve à frente da União dos Capoeiras Leão do Norte (Unicalen). O capoeirista - além de Gran Mestre, é professor e músico - fala da diferença que aulas de Capoeira fazem na vida dos seus alunos. "Além do exercício físico propriamente dito, ajudam a formar o caráter. Tendo uma riqueza histórica e musical tão grande, a prática serve de instrumento de luta social. É uma manifestação genuinamente brasileira, formada através da miscenação das culturas indígena, negra e branca. Em nenhum lugar, você encontra uma mistura assim", diz o mestre.

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O projeto de lei que tramita na Alepe está atualmente sendo analisado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, que tem até 90 dias para devolver o documento à casa. O texto do projeto argumenta que o reconhecimento ajudaria a Capoeira a obter maior espaço e estrutura para apresentações, já que a aprovação da medida teria um efeito importante para a ampliação da valorização da prática no Estado, já que aqui ela foi determinante para a cultura do passo do Frevo. "Lutamos também para que os mestres de Capoeira consigam garantir sua aposentadoria por lei em Pernambuco, como ocorre na Bahia, já que a prática constante da atividade demanda esforço físico e mental", finaliza Mestre Pácua.

Promovido pelo Coletivo de Mestres de Capoeira, o festival e seminário trará na sexta, entre 18h e 22h, os Mestres Zumbi Bahia e Israel para falarem sobre suas vivências dentro da Capoeira, e a entrada é gratuita ao público. Já no sábado é oferecido um curso para Contra-mestres, Mestrandos e Mestres, entre as 18h e as 22h.

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