Cartuns, caricaturas e quadrinhos vão ocupar Caixa Cultural

Salão Internacional de Humor Gráfico, que começa nesta terça-feira (30) e fica em cartaz até o dia 9 de dezembro, tem como tema Mundo Literário

Imagem do catálogo do Salão Internacional de Humor Gráfico de Pernambuco Imagem do catálogo do Salão Internacional de Humor Gráfico de Pernambuco  - Foto: Divulgação

Uma imagem tem o potencial de comunicar uma grande quantidade de ideias sobre aspectos diversos da vida contemporânea a partir de poucos traços. Nesse sentido, a terceira edição do Salão Internacional de Humor Gráfico (SIHG), que ocorre de 31 de outubro a 9 de dezembro (a cerimônia de abertura será no dia 30, às 18h, com apresentação do guitarrista Wallace Seixas), na Caixa Cultural, reúne 133 imagens (sendo 55 cartuns, 65 caricaturas e 13 quadrinhos) com essa capacidade de gerar ideias e sentidos.

Depois abordar assuntos como a mulher, na primeira edição, e os direitos humanos, na segunda, o SIHG se estruturou a partir do tema Mundo Literário. "O primeiro tema foi mulher, foi bem oportuno, estava se discutindo muito o espaço da mulher no trabalho em geral, e principalmente nas artes gráficas. O segundo foi direitos humanos. Em 2016, surgiram vários questionamentos ao redor do mundo, inclusive com a eleição de [Donald] Trump. O mundo estava, e ainda está hoje, caminhando para o extremismo de direta", comenta Samuca Andrade, organizador do SIHG.

Agora, através das referências à literatura, o Salão pretende gerar reflexões sobre escritores e processos de formação através da leitura. "Neste ano pensamos em escolher o tema literatura para despertar o interesse pela leitura, que ainda é raro no nosso país, por incrível que pareça. As pessoas não gostam de ler. Gostam de ver. Elas veem fake news, Facebook. As pessoas gostam do que está na mão. Nossa estatística de leitura é muito fraca. Então pensamos nesse tema, para despertar, para instigar, para chamar a atenção", reforça Samuca.

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Estilos

Neste ano, foram 704 inscritos, de 49 países, em todos os continentes. Os 133 selecionados vão disputar R$ 28 mil em prêmios. "Nas caricaturas, a homenagem é aos escritores, autores, poetas. Surpreendeu muito a qualidade dos trabalhos das caricaturas que chegaram. Foram personagens do mundo inteiro. Claro que sobressaíram aqueles escritores mais populares, como Gabriel Garcia Marques, Jorge Luis Borges, Kafka", adianta Samuca.

"Nos quadrinhos fiquei um pouquinho com gosto de quero mais, porque a participação não foi a esperada, em termos de quantidade. Nos outros salões a gente deixou de fora os quadrinhos por questão de orçamento. Neste ano, o tempo foi um pouco curto, porque quadrinhos dá mais trabalho para fazer. Foram pouco menos de quatro meses de inscrição. Geralmente um salão de humor tem de quatro a seis meses de período de inscrição", detalha o idealizador.

A comissão que vai julgar os trabalhos são a francesa Adene (Anna Derenne), o cubano Ares (Arístides Esteban), o paulista Fernandes, a carioca Lokáz (Lorena Kaz) e o paulistano Rafael Coutinho. Além do salão com os concorrentes, há salas específicas com obras dos quadrinistas que compõem o júri. "Anna Derenne tem um trabalho combativo, feminista. Ela é formada em economia e resolveu desenhar depois de grande. Lorena Kaz tem quadrinhos bacanas, ilustrações em livros infantis, infantojuvenis, com editoras sempre publicando elas", lista Samuca.

"Fernandes é um caricaturista do Diário do Grande ABC, Ares é um cartunista da velha guarda, cubano, um dos mais premiados do mundo. Quando eu estava começando, Ares já tinha não sei quantos prêmios. Rafael Coutinho é quadrinista e editor de quadrinhos. O trabalho dele vai além de desenhar bem para caramba, ele ainda edita o trabalho dos outros. É um batalhador no quadrinho", completa.

Histórico

O evento ocorre pela primeira vez na Caixa Cultural - as duas primeiras edições, em 2012 e 2016, foram na Torre Malakoff. "A distância entre as edições é por causa da aprovação de projetos em editais. Você fica na dependência de um edital", diz Samuca, que nas duas primeiras edições contou com apoio do Funcultura. "Na Caixa Cultural o processo é totalmente diferente. Eles avaliam o projeto e a documentação depois. Acho mais justo qualquer tipo de edital que não dê o mesmo peso para a documentação e para o projeto", opina.

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