Casa de Manuel Eudócio reabre ao público

Produção do ceramista de Caruaru ficará exposta no seu ateliê, que estava fechado há um ano, em Caruaru

Mesmo sem investimento para o projeto, filhos do artista figurativo do barro tomaram a frente para reativar o espaçoMesmo sem investimento para o projeto, filhos do artista figurativo do barro tomaram a frente para reativar o espaço - Foto: Andréa Regos Barros/Arquivo Folha

Em um espaço que integra casa e ateliê, o ceramista Manuel Eudócio extraía do barro as obras de arte que o tornaram Patrimônio Vivo de Pernambuco. O lugar era parada obrigatória para os turistas que passam pelo Alto do Moura, em Caruaru. Desde que o mestre faleceu, no entanto, o público não tem mais acesso à oficina e ao acervo que ela guarda. Nesta segunda-feira (13), exatamente um ano após a morte do artista, seus filhos reabrem o local para visitação.

“Uma boa parte de tudo o que meu pai produziu ao longo da vida está guardado no ateliê. Era nesse lugar onde ele passava a maior parte do tempo, sempre criando, mesmo aos 85 anos. Portanto, deixar que ele permaneça fechado seria uma perda muito grande para a cultura pernambucana. Além do mais, essa também é a melhor forma de preservar a memória dele para as futuras gerações”, afirma um dos filhos do artesão, Ademilson Rodrigues, 52 anos. O artesão morreu por complicações de insuficiência renal crônica, após ter sido internado com suspeita de febre chikungunya.

Não foi por falta de vontade da família de Eudócio que o estúdio ficou de portas fechadas durante tanto tempo. Embora tivessem o desejo de transformar o local em centro cultural, os herdeiros do ceramista aguardavam a possibilidade de investimento público no projeto. “Estávamos esperando pela Prefeitura de Caruaru, que havia demonstrado interesse em transformar a oficina em memorial. Por 2016 ter sido um ano de eleições, não foi possível que isso se concretizasse. Como a gestão mudou, resolvemos não esperar e reabrir o lugar do jeito que estava, com a simplicidade que meu pai sempre teve. Contamos com o apoio de alguns amigos, mas esperamos que surjam outros parceiros”, torce.

Durante a reabertura, os filhos do mestre farão as honras da casa, recepcionando os visitantes e mostrando não só as peças deixadas pelo artista, mas também os objetos e utensílios usados por ele em seu processo criativo. A visitação é gratuita e ocorre nesta segunda-feira (13), das 9h às 12h e das 14h às 18h. “A nossa intenção é que, daqui para frente, o ateliê fique aberto ao público todos os dias. Mas nós ainda precisamos nos reunir para discutir a viabilidade”, diz.

Mesmo não faltando pessoas interessadas em adquirir as obras do mestre, a família não pretende comercializar partes da coleção exposta. No entanto, os oito filhos de Eudócio que ainda estão vivos aprenderam o ofício do pai e devem dar continuidade à produção das figuras de barro. “Existe um espaço anexo ao ateliê, onde funcionava a garagem da casa. Lá a gente pretende montar uma loja e vender aquilo que nós criamos”, adianta. Para Ademilson, o legado do artesão vai além do reconhecimento e dos títulos recebidos em vida. “Ele nos deixou como herança a arte, a cultura e a formação moral. Isso não dá para mensurar”, defende.

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