Música

Cascabulho retorna com álbum "Fogo na Pele"

Quinto e novo álbum do grupo pernambucano já está disponível nas plataformas digitais e em formato físico

Grupo Cascabulho lança novo álbumGrupo Cascabulho lança novo álbum - Foto: Aurora Artística

Em texto de apresentação de “Fogo na Pele”, quinto e novo álbum do grupo pernambucano Cascabulho, o escritor, crítico musical e pesquisador de música popular José Teles é taxativo ao afirmar que essa é a produção em que eles mais se aproximam de um forró que cada vez mais existe apenas nas recordações daqueles que o viveram até os anos 1970, ou que se limita a uma parte resistente do Nordeste.

Surgido em 1997, período em que movimento manguebeat fervilhava no Recife, o Cascabulho desde o início manteve os pés fincados no forró, em uma proposta diferente dos seus pares à época. Vinte e quantro anos depois, o grupo revisita o gênero e os ritmos que deram origem a sua trajetória em álbum já disponível em todas as plataformas digitais e em formato físico também (R$ 29,90).

“A cada disco, nós sempre tivemos como concepção de construção de música, o desafio de se reinventar a cada trabalho. Depois de “O dia em que o samba perdeu pra feijoada”, em conversas da banda, achávamos que devíamos fazer um disco com as texturas originais do Cascabulho, aqueles sons iniciais”, explicou o vocalista Magrão. “É como um retorno de onde nunca saímos, pro que nós sempre fomos, porque apesar de toda nossa abrangência musical, nunca deixamos de ser isso”, completou. O álbum tem 10 faixas autorais e é dedicado aos povos indígenas e quilombolas do Brasil.

Estabelecendo-se como um exemplar raro de forró vintage, o disco conta com uma produção simples e elegante de Breno César Cunha e demonstra a força e importância do ritmo, quando muitos acreditam e o acusam de estar perdendo o fôlego. “Eu acho que o forró não perdeu força, acredito que tem muita gente fazendo ainda de forma muito efetiva e bacana, talvez com a cultura digital, com as novas gerações e com um mercado cada vez mais diverso, muita coisa se apresenta como forró, mas na realidade não é forró porque não veio da escola dos grandes mestres”, disse Magrão.

O disco conta com as participações especiais de Josildo Sá (em "Noite de Forrobodó"), Mestre Galo Preto ("Em Tempo de Coco") e Cláudio Rabeca (em "Pela Trilha Sagrada"). “As músicas por si só começaram a se apresentar e, naturalmente, mostrar quem seriam os convidados, foi bem explícito”, afirmou o vocalista. “Nossa ideia era trazer três gerações distintas, então ficou muito claro quem iria participar”. O disco foi mixado e editado no Estúdio Muzak e masterizado no Fábrica Estúdios.

De forma natural e despretensiosa, o Cascabulho constrói ao longo das dez faixas uma sonoridade em que a variedade de estilos empregados se destaca, remetendo aos tradicionais forrozeiros da década de 1960. Quem hoje em dia grava marchinhas de quadrilha como "Forró de Caraúna"? 

Passeio por estilos

Ainda há xote, coco, forró de sala de reboco e até um flerte com o reggae. O forró é o norte, a soma ritmos nordestinos estilizados por Luiz Gonzaga. Além das plataformas digitais, o disco também é encontrado em formato físico na tradicional loja Passa Disco, no bairro do Espinheiro. “Nós não abrimos mão do formato físico porque agrega valor e através dele você consegue transformar uma obra sonora também em uma obra artística com elementos de design e artes plásticas”, detalhou Magrão. De acordo com o vocalista, o plano é lançar o “Fogo na Pele” em vinil e k-7. A arte do álbum é assinada por Fernando Duarte e o projeto gráfico de Keops Ferraz.

Veja também

Alceu Valença lança 'Saudade', novo álbum em voz e violão
Música

Alceu Valença lança 'Saudade', novo álbum em voz e violão

Chef surpreende no "Masterchef Brasil"
Gastronomia

Chef surpreende no "Masterchef Brasil"