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Celebração natalina da Fundaj reuniu religião, arte e cultura

Culto ecumênico, cantata, banda sinfônica e exposição de cartuns fizeram parte do evento

Cantata Natalina da Fundaj, realizada no campus da instituiçãoCantata Natalina da Fundaj, realizada no campus da instituição - Foto: Fundaj/Divulgação

A Cantata Natalina da Fundaj marcou um novo começo para o coral da instituição, que estava há 30 anos sem funcionar. Culto ecumênico e exposição artística sobre monumentos históricos e personalidades marcantes de Pernambuco também fizeram parte da celebração desta sexta-feira (13), no campus da Fundaj de Casa Forte, frente ao Solar Francisco Pinto Guimarães. Com entrada gratuita, o público pôde participar da cerimônia que celebrou a união entre religiões, e também ouvir músicas natalinas as quais encantaram públicos de todas as idades. Além disso, foram arrecadados alimentos não perecíveis para a Campanha Natal sem Fome.

“Esse é um ato de muitos simbolismos. Após um culto de paz entre as religiões, celebramos Jesus na Cantata e marcamos a reinauguração do Coral da Fundaj. Depois, por meio da exposição do cartunista pernambucano Humberto, conhecemos várias cenas do cotidiano pernambucano”, afirmou o presidente da Fundaj, Antônio Campos.

No culto ecumênico, representantes de quatro religiões foram reunidos para falar sobre as festividades do mês de dezembro conforme a fé de cada um. “Desde o dia 1º iniciamos o período do advento, tempo que começamos a nos preparar para o Natal. Essa festividade singela nos faz lembrar do exemplo de Jesus, o qual nos incentiva a ser fraternos e solidários”, afirmou o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido.

Logo depois foi a vez do espírita e médium, Francisco da Rocha, fazer suas colocações. “Estamos aqui para promover a unidade, pois somos células de um corpo chamado universo. Nesse tempo, precisamos abrir o coração para servir melhor o outro”, afirmou. Enfatizando a importância do combate ao preconceito direcionado a sua religião, o babalorixá Edson de Omolu, afirmou: “que trabalhemos juntos contra essa ignorância, pois somos de paz e nos preocupamos com a sociedade. Nessa época, destaco a importância não só de cuidar do outro, mas também de si”.

Por fim, foi a vez do pastor evangélico, Ricardo Dutra, expressar sua crença. “Natal é o nascimento da compaixão, do amor, do social, da gratidão, da família, e o mais importante: do salvador em nossos corações”, afirmou.

Após o culto, o coordenador e fundador do Comitê da Ação da Cidadania Pernambuco Solidário, Anselmo Monteiro, convidou os voluntários da ação Natal Sem Fome para fazer um agradecimento. A campanha arrecadou meia tonelada de alimentos, tendo os quatro os campi da Fundaj como sede de arrecadação. Para encerrar o momento, o responsável pela iniciativa convidou os presente para fazer as orações do Pai Nosso e da Avé Maria.

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Cantata

As estrofes cantadas “Bom Natal, um feliz Natal / Muito amor e paz pra vocês”, da canção “Bom Natal”, conduziram o clima e remeteram aos saberes compartilhados durante o culto ecumênico. Regidas pelo maestro Jadson de Oliveira, as vozes que emocionaram foram compostas por integrantes de diferentes corais: da Fundação Joaquim Nabuco; Vozes da Globo; Madrigal Lindbergh Pires; Chesf Recife; Canto no Ponto; e Grupo Vocal Bom Dia.

A apresentação ocorreu no terraço e escadarias do Solar Francisco Ribeiro Pinto Guimarães, iluminado especialmente para a ocasião. Ao todo, sete músicas conduziram o encontro, fazendo com que o público se juntasse às canções. “Estou muito feliz e grato por compartilhar com todos os presentes esse momento de estreia oficial. Preparar uma cantata em poucas semanas foi um enorme desafio, mas o grupo demonstrou grande empenho e o resultado foi mesmo satisfatório”, compartilhou, sorridente, o maestro Jadson de Oliveira.

Estagiária do Museu do Homem do Nordeste, Clarissa do Nascimento contou que as últimas doze semanas de ensaio contribuíram para a perda de sua timidez. Ainda na percepção dela, os ensaios serviram também para aproximar funcionários de diferentes setores da Fundaj. “O maestro tem muito conhecimento e nos incentivou bastante, acreditando no potencial de cada um. Eu sempre gostei de cantar, mas tinha muita vergonha. Essa foi a oportunidade de perder a timidez, fazendo novos amigos, dando forças uns aos outros”.

O presidente da Fundaj, Antônio Campos, entregou certificados a representantes dos corais, em reconhecimento pela apresentação. “Essa é uma homenagem a todos que participaram desse momento. A recebo em nome de todos os colegas, dividindo-a com todos eles”, declarou o Jamerson Tavares, representando o Coral da Fundação. A cantata contou ainda com a apresentação da Banda Sinfônica do Paulista, composta por 16 músicos regidos pelo maestro Leonildo Araújo.

Um passeio ilustrado pelo Estado

Ao fim da cantata natalina, a Galeria Baobá, localizada nos porões do Solar Francisco Pinto Guimarães, recebeu o lançamento da exposição “Cartuns Postais da Cultura Pernambucana”. Com curadoria e ilustrações do cartunista Humberto Araújo, a mostra exibe doze peças ilustradas (uma para cada mês do ano). Nelas, o artista apresenta cenários importantes para a cultura do Estado, como a casa do Mestre Vitalino, no Alto do Moura, em Caruaru, no agreste pernambucano.

Há 40 anos atuando como chargista em jornal, Humberto dedicou as últimas duas décadas à pesquisa de pontos turísticos de Pernambuco. A cada ilustração, ele apresenta monumentos arquitetônicos em traços vazados, enquanto diverte o público com situações bem humoradas em cor, como quando Lia de Itamaracá, Chico Science, dentre outros, desembarcam de trem na Estação Ferroviária de Garanhuns. A ideia é mostrar fatos curiosos a respeito dos locais através do contraste estético.

Durante a visita, o presidente da Fundação, Antônio Campos, ressaltou a satisfação em ter a exposição à mostra na galeria da instituição. “Humberto faz um recorte da cultura pernambucana extremamente contemporâneo. Essa é a Casa da diversidade e o cartum é a arte contemporânea maior. Estamos muito felizes”, celebrou. A exposição abre com o cartum da escultura do poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto, presente na rua da Aurora, no Recife, às margens do Rio Capibaribe. O monumento integra o Circuito da Poesia e foi selecionado para homenagear o poeta, que no mês de janeiro de 2020 completaria cem anos. Na arte, a escultura de João Cabral traz a mão a primeira fatia do seu bolo de aniversário, enquanto contempla o rio, seu Cão Sem Plumas e um dos vislumbres de Severino, personagem principal de seu poema Morte e Vida.

Em seguida, para o mês de fevereiro, somos conduzidos para a igreja de São Salvador do Mundo, no Alto da Sé, Sítio de Histórico de Olinda. Em primeiro plano e em cor, o bonequeiro descansa a calunga do Homem da Meia-Noite para brincar o Carnaval. “Sagrado e profano se misturam. Todo Carnaval a igreja espreita, de portas fechadas, os foliões na concentração”, diz o texto de apresentação. Em março, mês do aniversário de Gilberto Freyre, o cartunista brinca com a escultura do sociólogo no Jardim de Apipucos.

O restante da mostra segue viagem interior adentro: da Nova Jerusalém, o maior teatro ao ar livre do mundo, ao Theatro Cinema Guarany, na cidade de Triunfo, no Sertão do Pajeú. “A minha vivência em jornal, mas, também, a minha formação em arquitetura levaram a essa ligação entre os monumentos arquitetônicos, as personalidades e personagens, mas também o humor”, reflete o ilustrador, ao destacar a intenção de continuar o projeto seguindo, itinerante, para outros pontos do Brasil.

“É uma honra estar aqui. A Fundação Joaquim Nabuco representa o cuidado e o trabalho que se faz para a valorização da cultura e de pessoas importantes na construção de uma região que tem características muito próprias e uma cultura muito forte. Com o convite, por ser uma casa de cultura, tentei selecionar ambientes turísticos e personalidades da cultura pernambucana de relevância, como Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco, João Cabral de Melo Neto, Francisco Brennand”, conta.

A professora de licenciatura da Unicap, Elba Leicht, 73 anos, acompanha o trabalho do cartunista há bastante tempo e conta da surpresa a cada exposição. “Cada vez que Humberto expõe, ele se supera. Aqui vemos as questões regiões, mas vamos além e vemos, também, o cômico nesses elementos. Considero uma soma de artes. São criações que se perpetuam pelo resto da vida”, observa Elba. Nas peças, se viu no trem que passa pela cidade de Garanhuns. O mesmo que pegou com os pais, quando menina. Todos os visitantes receberam kits de postais das peças da exposição. A mostra ficará em cartaz durante um mês e pode ser conferida de terça a domingo, das 8h30 às 17h. A entrada é gratuita.

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