Celso Marconi: um dos grandes do cinema

Personagem importante da história do cinema pernambucano, Celso Marconi, aos 86 anos, segue um intelectual ativo e formador de gerações de cineastas e críticos

Cineasta pernambucano Celso Marconi em sua casaCineasta pernambucano Celso Marconi em sua casa - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

A história do cinema pernambucano tem capítulos que não costumam receber o devido reconhecimento. Filmes e pessoas que fundamentaram não apenas as bases da estrutura de produção cinematográfica, como também criaram um ambiente de criação. A geração que iniciou os trabalhos de jornalismo de cinema, produção de filmes e programação nos anos 1950 é fundamental: pessoas como Fernando Spencer, Jomard Muniz de Britto e Celso Marconi.

Celso segue um pensador ativo: aos 86 anos, morador de Olinda, publica textos em seu blog e no seu perfil do Facebook. Foi crítico de cinema entre os anos 1950 e 1980, primeiro na Folha da Manhã e depois no Jornal do Commercio (de 1966 até 89); participou do movimento Super-8, na década de 1970; foi diretor do Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (Mispe) e também programador de cinema, além de professor no curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pernambuco. Seus textos recentes indicam a vitalidade de seu pensamento, a lucidez de sua argumentação e o alcance de suas ideias.



Além da escrita, Celso segue interessado pelo cinema e pela literatura. Entre os últimos filmes vistos, elogios para o pernambucano “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, e obras do húngaro Bela Tarr. “Vivo dentro de casa. Durmo umas 3h ou 4h da manhã, até às 13h. Depois sento e fico lendo. Leio no iPad. Minha vista se dá melhor porque posso aumentar a letra. Leio a parte de cultura dos jornais. Leio filosofia. Estou lendo Hegel, ‘Fenomenologia do Espírito’. Há romancistas de que gosto, como Haruki Murakami, Bernardo Carvalho”, lista.

Sobre o atual momento político brasileiro, Celso - que foi preso durante o regime militar de 1964 -, opina: “A política está cada vez mais desavergonhada. Antes tinha a segurança, o freio da religião. Hoje em dia, as pessoas não acreditam mais em religião. Não têm medo do inferno. Não é Temer, não é Dilma. Não sou PT. Sou de esquerda porque acho que ela me leva a um lado mais apropriado de vida. Gostaria de viver em um mundo comunista. Comunista em um sentido amplo, de tranquilidade. Os meios econômicos e a tecnologia estão mais desenvolvidos, então dá para você ter uma sociedade melhor”, explica.

“Eu voto ainda porque acho que devo exercer esse direito. Enquanto eu puder e tiver consciência sigo votando. Acho que o mundo hoje está em uma situação na qual poderíamos viver muito melhor. Não há razão para as pessoas serem tão angustiadas. Poderia ser uma tranquilidade...”, ressalta.

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