Cena do heavy metal em Pernambuco é tema de documentário que estreia no Cinema do Museu

'Pesado - Que Som É Esse Que Vem de Pernambuco?' será exibido dentro da mostra Play The Movie, do Coquetel Molotov

Leo Crivellare, Jacques Barcia (Rabujos) e Wilfred Gadêlha: diretores ladeiam um dos entrevistados do filmeLeo Crivellare, Jacques Barcia (Rabujos) e Wilfred Gadêlha: diretores ladeiam um dos entrevistados do filme - Foto: Divulgação

Pertencimento. Esse é o conceito-chave que levou o jornalista Wilfred Gadêlha, conjuntamente com o diretor Leo Crivellare, a produzir seu mais novo filme, "Pesado - Que Som É Esse Que Vem de Pernambuco?".

Ambos metaleiros e pernambucanos - dois títulos que misturaram com orgulho no projeto -, os amigos de infância exploram a cena do heavy metal em Pernambuco desde seu contexto histórico a sua convivência com as mais diversas manifestações culturais e musicais do estado.

O longa encerra a mostra “Play the Movie”, seleção de filmes com pegada musical do Festival No Ar - Coquetel Molotov, e estreia neste sábado (14), às 14h, no Cinema do Museu/Fundação.

De fotografia mais escura, baseada na própria estética do heavy metal, “Pesado” não esconde sua premissa: a primeira cena se passa no São João de Caruaru, onde quem toca no palco é Alkymenia, banda brasileira de Death Metal formada em 2003. Passando por lugares como o Beco da Fome e a loja de discos Mausoleum - lugares chave para a cena do metal no estado -, o filme questiona se existe, de fato, um heavy metal pernambucano e até que ponto vai a conservação do gênero metal.

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"O pernambucano tem essa coisa de se achar diferente. A pergunta que às vezes eu faço é inversa: existe um cinema pernambucano? Sim. Existe uma música pernambucana? Existe. O heavy metal não está dissociado disso. Como os caras falam no filme - e eu acredito nisso também -, a maneira como as pessoas tocam aqui é diferente. É como Paulo André fala: a gente cresce ouvindo o carnaval. Mesmo que você odeie, ele está presente. A cultura popular de Pernambuco vai estar sempre presente na questão do heavy metal, mesmo que seja para negar, para tomar distância", comenta Wilfred Gadêlha, que, através do documentário, questiona e apresenta o contexto social de um movimento que é ora de contracultura, noutras vezes agregador.

"Eu acredito que o heavy metal já é um som que nasce de mistura, o heavy metal não é uma música pura. Já é um estilo híbrido", acrescenta o roteirista.



Didático, o documentário se utiliza das várias possibilidades do audiovisual, incluindo montagens visuais e ilustrações, para explorar a cena cultural metaleira. "A gente não quis fazer um filme para quem é fã de heavy metal. A gente quer fazer um filme para que as pessoas entendam - entendam como é que o heavy metal sobrevive num ambiente tão inóspito como é a cultura popular de Pernambuco", explica Wilfred.

Mas os fãs de heavy metal também encontram na película um espaço especial: o longa usufrui de easter eggs (os fãs de metal ficarão satisfeitos) com seu acervo de fotos raras (a maioria de arquivos pessoais) e trilha sonora composta de diversas fitas demo (algumas das bandas que tocam na trilha não chegaram a gravar discos, como é o caso das "Herdeiros de Lúcifer", "Fire Worshipers" e "Arame Farpado").

O longa, no entanto, não foca apenas no passado - mostra o metal subterrâneo do começo dos anos 80, mas vai além: apesar de ter um espaço cronológico, a montagem costura, através de entrevistas com alguns dos principais personagens do metal do estado, como Humberto Brito e Alemão, temas antigos com opiniões sobre o cenário atual.

“Heavy metal é uma coisa apaixonante, não é uma coisa que você gosta mais ou menos. Ou você dá aquele estalo e vira a cabeça e ama ou não ama. A história é muito costurada, qualquer coisa que você cortar e colocar no lugar errado não vai fazer sentido. O filme é de uma costura muito complicada, foi um dos filmes mais difíceis que eu montei”, compartilha André Farkatt, responsável pela montagem do documentário.

"A gente teve a preocupação de não fazer um filme nostálgico. A gente quis fazer um filme que apontasse pro futuro, porque a gente termina dizendo ‘e aí? Tem uma coisa diferente ou não tem? Pra onde vai o heavy metal?’. Nosso dilema é quebrar barreiras e construir pontes. A gente quer mostrar que música pesada não é esse bicho de sete cabeças. A gente é mais pacífico do que a gente aparenta ser", explica Wilfred.

"A gente tá fazendo questão de representar a cena, porque pra o cara do heavy metal o sentimento de pertencimento é talvez o mais importante. O ‘eu sou do metal’", completa.

Serviço:
Exibição do documentário 'Pesado - Que Som É Esse Que Vem de Pernambuco?'
Neste sábado (14), às 14h
Cinema do Museu (Avenida 17 de agosto, 2187, Casa Forte)
104 minutos
Entrada gratuita

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