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Cena jazz cresce e conquista novos artistas no Recife

Com origem nas comunidades negras dos Estados Unidos, o jazz absorve sonoridades locais por meio de músicos pernambucanos

Batizada de "A great day in Harlem", foto de 1958 inspirou artistas pernambucanos do jazzBatizada de "A great day in Harlem", foto de 1958 inspirou artistas pernambucanos do jazz - Foto: Reprodução

O jazz nasceu nas comunidades negras de Nova Orleans, nos Estados Unidos, mas acabou se espalhando por outras partes do mundo, adaptando-se a cada novo contexto. No Recife, cidade que há muito tempo convive com uma pluralidade de influências culturais, ele também encontrou espaço e fez adeptos. O ritmo que revelou nomes como Miles Davis e Billie Holiday tem movimentado uma nova cena na capital pernambucana, com artistas cada vez mais interessados em experimentar as possibilidades do estilo musical.

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O músico Dom Angelo Mongiovi passou seis anos morando em Portugal, onde concluiu mestrado e doutorado em performance jazzística. Vivendo novamente em Pernambuco desde o ano passado, ele aponta os fatores que comprovam uma cena jazz na capital pernambucana. "Há vários elementos que formam as conjunturas necessárias para validar essa existência, como artistas com trabalhos autorais, álbuns lançados, espaços que rebem shows do tipo periodicamente e festivais especializados", indica.

Alguns dos músicos que vivenciam esse novo momento musical pernambucano se juntaram, neste mês de abril, para uma releitura de um momento histórico. Reunidos no Bairro do Recife, eles posaram para uma fotografia nos mesmos moldes de uma imagem produzida em 1958, nos Estados Unidos, com 57 grandes nomes do jazz, batizada de "A great day in Harlem". Nomes já consagrados no meio, como o maestro Spok, e outros que começam a despontar, como Henrique Albino e Ítalo Sales, participaram da versão pernambucana da foto.

"Temos uma galera que vem buscando formação, pesquisando o que está sendo feito fora daqui, assim como já ocorreu no passado, só que com um olhar empreendedor e de planejamento", afirma o pianista Amaro Freitas, artista dessa atual geração.



Seu álbum de estreia, "Sangue negro" (2017), arrancou elogios de críticos por apresentar um jazz que se afasta das correntes tradicionais. Uma das características desse trabalho é unir ao ritmo norte-americano, sonoridades locais, como o frevo e o maracatu.

"Acho que cada pessoa vai sofrendo influências e traduzindo isso de acordo com a sua originalidade. A pluralidade é o grande barato da história que estamos vivendo aqui. Não dá para enquadrar todos numa caixinha, mas ainda assim há muita pernambucanidade no que está sendo produzido", diz Amaro.

Para o tecladista Diego Drão, integrante do trio Joinha’s Band, o que falta para a cena local decolar é incentivo. "Ainda há poucos espaços para tocar e ouvir jazz na cidade. Os empresários, donos de casas de show e restaurantes não abriram os olhos para o fato de que existe um público muito interessado em consumir esse tipo de música no Recife", defende.


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