Centenário de Celina de Holanda será comemorado na APL

Evento, que acontece na próxima segunda, contará com relançamento da obra "Viagens Gerais"

Deputado Sílvio Costa Filho no Folha Política Deputado Sílvio Costa Filho no Folha Política  - Foto: Pedro Farias

A escritora e jornalista Celina de Holanda será lembrada em cerimônia de homenagem ao seu centenário de nascimento que acontecerá na próxima segunda-feira (5), na Academia Pernambucana de Letras (APL), a partir das 16h. Durante o evento, será relançada a obra “Viagens Gerais”, editada pela CEPE, que reúne poesias de Celina.

Além disso, o escritor Luiz Manoel Paes de Siqueira; a sobrinha da poeta, Andréa Mota e os acadêmicos José Mário Rodrigues, Luzilá Gonçalves Ferreira, Francisco Trindade Barreto (Chicão) irão falar sobre o trabalho de Celina.

Celina nasceu no Cabo de Santo Agostinho, onde a família tinha um engenho. Jornalista e poeta, ela só editou o primeiro livro, O Espelho da Rosa, quando já tinha 55 anos. Vieram outros seis títulos: A Mão Extrema (1976), Sobre Esta Cidade de Rios (1979), Roda d'Água (1981), As Viagens (1984); Pantorra, o Engenho (1990) e Viagens Gerais (1995), a última obra antes da sua morte em 1999, em decorrência de um câncer.

Celina foi descrita pelo amigo e poeta Alberto da Cunha Melo como uma mulher tomada por um “cristianismo guerreiro”. Entre seus temas, estão o destino humano na terra, as injustiças e o cotidiano apreendido em seu lirismo. Além de escrever, ela integrou as Edições Pirata, junto com Jaci Bezerra e Alberto, parte fundamental da movimentação da Geração 65.

“A casa dela era o endereço da sede da editora. Sempre tinha algum jovem mostrando seu trabalho lá, e minha mãe os recebia com o maior carinho, o maior amor”, conta a filha Ana Regina Cavalcanti. Outras amizades suas eram com autores como Mauro Mota – um dos seus mestres –, Maximiano e Renato Carneiro Campos.

“Celina sempre foi profundamente fraterna com os amigos e significou muito para os poetas de Pernambuco. Quando eles começavam a escrever, traziam os versos para ela ler. Ela comentava sempre com rigor, um rigor amoroso”, destaca a sobrinha e produtora Andréa Mota. “Tanto na sua poesia como no cotidiano ela sempre se expressou com clareza e rigor”.

Segundo a escritora e pesquisadora Luzilá Gonçalves, esse era o maior traço de Celina – sua casa estava constantemente aberta a outros autores e amigos. “Enquanto ela era viva, a poesia dela não recebeu a atenção que devia. Apesar de termos outras grandes poetas mulheres, ela, junto com Deborah Brennand, é uma das duas maiores de Pernambuco”, define.

“Era uma mulher que perseguia a palavra. Escrevia todo dia, em qualquer lugar, em qualquer pedaço de papel. E depois reescrevia e reescrevia”, aponta Andréa.

Aos 18 anos, ela ajudava a tia Cecé a revisar seus textos. Um dia, confessou que entendia mais o que Alberto da Cunha Melo escrevia do que o que ela fazia. Ouviu a resposta que nunca saiu da sua mente: “Minha sobrinha, para mim, o difícil é ser simples”.


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