Cinema como construção da realidade

Diretor Marlom Meirelles finaliza as gravações do projeto “Documentando”. No Recife, o universo feminino serviu de mote para os vídeos

Projeto recebeu parecer favorável na Comissão de Educação Projeto recebeu parecer favorável na Comissão de Educação  - Foto: Divulgação / Câmara Municipal do Recife

 

Com o objetivo de incentivar a produção de documentários e de aproximar o público jovem do gênero cinematográfico, o cineasta pernambucano Marlom Meirelles se debruça em mais uma temporada de “Documentando”, projeto que desenvolve desde 2010, por meio de incentivo do Funcultura. Além de produzir os vídeos, Marlom oferece aulas e lições teóricas e práticas sobre o cinema que, nesta etapa, contemplou cerca de 300 jovens em oficinas gratuitas realizadas em 15 cidades do Estado.
Na Capital pernambucana, o projeto, que teve as gravações encerradas na sexta-feira (2), foi traçado de maneira diferente. Após parceria feita com a Secretaria da Mulher de Pernambuco (SecMulher-PE), o universo feminino não só se tornou o mote dos vídeos, como eles foram produzidos somente por mulheres. “Demos um recorte de gênero para que as referências fossem ligadas às mulheres”, disse Marlom, ressaltando o desafio de desconstruir paradigmas, entre eles, o de ser um cineasta homem em um projeto voltado ao público feminino. “Sou um homem num grupo só de mulheres e isso, a princípio, me preocupou, devido à resistência das pessoas. Mas como sou pró-feminismo pude ver a realidade de cada uma delas e como elas se posicionam”, acrescentou.

Entre as filmagens, que trouxeram as fêmeas como figura principal, a história da moradora de rua Aparecida, que vive pelo Bairro do Recife, mais precisamente nas proximidades da Igreja Madre de Deus, também foi retratada. “Partimos da ideia de tratar as mulheres que estão marginalizadas, em situação de violência e chegamos à personagem. Foi algo orgânico, que surgiu das próprias alunas. Elas vinham com as ideias e nós viabilizamos”, explicou o cineasta.

Além dela, o “Documentando” narra, entre outras histórias, o dia a dia na comunidade quilombola de Trigueiros, em Vicência, a relação de funcionários e ouvintes da Rádio Pajeú, no Sertão, a experiência de um mergulho em Fernando de Noronha, e ainda traz depoimentos de pessoas que conviveram com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, em um vídeo gravado no Exú. “Nossa pretensão é de estimular a consciência de que o cinema é um instrumento de construção da realidade para que os envolvidos possam observar as possibilidades de abordagem, dispositivos, temas e processos de trabalho”, completou.

Questionado sobre os desafios do novo projeto, Marlom afirmou que “gravar na rua” foi o maior deles. “Tivemos que lidar com imprevistos, com o elemento humano, os ruídos. Por mais que a gente crie uma margem de controle, dentro dela o imprevisível pode se manifestar de várias maneiras. E é aí onde está a magia do documentário”, finalizou.

 

Veja também

Paula Fernandes testa positivo para Covid-19, mas está assintomática
Música

Paula Fernandes testa positivo para Covid-19, mas está assintomática

Após dica de carro de som, Mirella diz que vai se afastar de Biel em A Fazenda 12
Televisão

Após dica de carro de som, Mirella diz que vai se afastar de Biel em A Fazenda 12