Cinema: mangá inspira Alita, superprodução sobre ciborgue

A adaptação do mangá surfa a onda do maior protagonismo feminino na ficção científica, mas, ironicamente, criador do mangá diz nunca ter pensado em levantar essa bandeira

Alita: Anjo de CombateAlita: Anjo de Combate - Foto: Divulgação

Afinal, quem é Alita? A Fox investiu por volta de US$ 200 milhões na resposta. Adaptação do cultuado mangá criado por Yukito Kishiro nos anos 1990, "Alita: Anjo de Combate" é a "ciborgue dos olhos" do diretor James Cameron, que assina a produção do blockbuster lançado em 943 salas brasileiras.

No século 26, a população da Terra está dividida em duas: a maioria vive subjugada numa violenta metrópole decadente comandada por ciborgues policiais. Enquanto poucos privilegiados vivem na luxuosa Zalem, a cidade nas nuvens. É quando dr. Ido, especialista cibernético, encontra num lixão a cabeça de uma ciborgue: Alita. Ao revivê-la, mantendo seu cérebro intacto, percebe que a garota tem habilidades de combate fora do comum, o que pode mudar as coisas.

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No mangá, Alita descobre peças do seu passado quando destroça os membros dos inimigos. Na adaptação, a violência crua foi atenuada, o sangue jorra com menos intensidade e é azul. O autor não vê problemas: "O filme capturou o espírito do livro", diz Kishiro à reportagem. O quadrinista japonês conta que criou o universo cyberpunk de Alita inspirado nas longas expedições que fazia pelos ferros-velhos de Chiba, no Japão, quando era criança, na companhia de seu pai.

A adaptação do mangá surfa a onda do maior protagonismo feminino na ficção científica, mas, ironicamente, Kishiro diz nunca ter pensado em levantar essa bandeira.
Muito menos, diz, que a tecnologia em recriar partes robóticas no humano seria corriqueiro. "Talvez eu tenha especulado, mas não escrevi Alita pensando num futuro real." 

A ideia de adaptar para o cinema a jornada da guerreira robótica que luta contra a opressão em (mais) um futuro distópico surgiu em 2003, quando Cameron anunciou que este seria seu projeto pós-Titanic. O cineasta passou anos desenvolvendo uma nova técnica de captura de movimentos para o filme, mas resolveu empregá-la no megahit "Avatar". A direção foi, agora, passada para Robert Rodriguez ("Sin City").

ALITA: ANJO DE COMBATE
PRODUÇÃO Argentina, Canadá, EUA, 2019
DIREÇÃO Robert Rodriguez
ELENCO Christoph Waltz, Mahershala Ali
CLASSIFICAÇÃO 12 anos
QUANDO Estreia nesta quinta (14)

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