Cinemateca Pernambucana vai catalogar e exibir filmes raros do Estado

Parceria entre a TV Escola, a Fundaj, a UFPE e a Cinemateca Nacional, irá preservar e exibir obras importantes, com previsão de abrir ao público no início do próximo ano

Ana Farache, gestora do Cinema da Fundaj e também responsável pela CinematecaAna Farache, gestora do Cinema da Fundaj e também responsável pela Cinemateca - Foto: Fundaj/Divulgação

A riqueza do passado cinematográfico de Pernambuco, protagonista em movimentos como o Ciclo de Recife, em 1922, e o Super-8, de 1973, é inegável - e, da memória, vem a construção da identidade, a necessidade de preservação e expansão de conhecimentos.

É a partir desse resgate ao valor cultural do audiovisual que surge a Cinemateca Pernambucana, uma parceria entre a TV Escola, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Cinemateca Nacional, que abrirá ao público no início do próximo ano.

Apesar de já existirem pequenas cinematecas no Estado, essa é a primeira vez que uma grande quantidade de obras será preservada em um único lugar.

“É uma ideia que já circula há tempos, a necessidade de um esforço para a preservação e conservação de materiais. Pernambuco tem uma história longa no audiovisual, super bonita, e a gente tem pouco acesso a isso porque as coisas estão totalmente perdidas ou inacessíveis”, pontua Paulo Cunha, professor de Cinema, idealizador da cinemateca e também responsável pelo Cinema da UFPE (a ser implantado no Centro de Convenções da universidade).

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A Cinemateca Pernambucana será uma nova unidade da Coordenadoria do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e da diretoria de Memória, Educação, Arte e Cultura (MECA). A chave do projeto é a descentralização do conteúdo: a Cinemateca tomará lugar na sede da Fundação Joaquim Nabuco, em Casa Forte, mas também disponibilizará parte do acervo para a TV Escola (canal aberto) e contará com algumas exibições no Cinema do Museu e no Cinema da UFPE.

"É importante que não seja uma preservação para guardar, porque o principal é que seja um projeto para colocar as coisas em difusão, uma conservação ativa, colocando em circulação e suprindo uma situação que é prejudicial à cena audiovisual em Pernambuco", completa o professor.

A ideia é reforçada pelo ministro da Educação, Mendonça Filho. “Pernambuco é referência na produção cinematográfica desde o século passado. Temos que preservar essa memória, aliada ao compromisso de fortalecer a cadeia produtiva do audiovisual em Pernambuco e ser um centro avançado de estudos e pesquisas no Nordeste, contribuindo para a formação cultural de estudantes e professores”, afirmou o ministro, que investiu R$ 1 milhão no projeto.

“Sem preservação a gente se perde, não aprende e não tem como passar os conhecimentos de geração em geração. A cinemateca tanto descentraliza quanto junta tudo, preserva e disponibiliza”, assinala Ana Farache, gestora do Cinema da Fundaj e também responsável pela cinemateca.

"É um projeto que sentimos que tem que se consolidar e, depois, é só expandir. A ideia é que, em janeiro ou fevereiro, a gente já abra nosso espaço, que será para consultas, de debates", sustenta.

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"A proposta é termos um acervo bom, bem catalogado, que as pessoas possam procurar por nome, título, época. Não vamos só guardar esse arquivo, vamos exibi-lo em três espaços. Dependendo do mês, a gente pode se dedicar a um ator, um diretor, fazer mostras. Pensamos realmente em fazer uma cinemateca viva, que não seja só para guardar", projeta a gestora.

Paulo Cunha, professor da UFPE e idealizador da Cinemateca

Paulo Cunha, professor da UFPE e idealizador da Cinemateca - Crédito: Arthur Mota/Folha de Pernambuco



Paulo finaliza: “O foco central é, rapidamente, tornar o máximo de materiais acessíveis e projetar nos cinemas. Colocar isso em discussão, debater e repensar”.

Acervo
A Cinemateca Pernambucana iniciará as atividades com coleta e catalogação de filmes em matriz digital, além de itens relacionados às obras, como roteiro e fichas de produção. Após passar pelo processo de digitalização, os filmes em película também serão disponibilizados, em sua versão digital, no espaço da Fundaj.

Um acordo contratualmente estabelecido entre a cinemateca e detentores dos direitos autorais dos filmes regerá as condições de guarda e/ou difusão das produções, caso a caso. Diretores, produtores e demais interessados em enviar material podem encaminhar propostas e sugestões para e-mail [email protected] 

Seminário de Preservação
O anúncio da Cinemateca foi feito durante o 1º Seminário de Preservação Audiovisual do Nordeste, que acaba hoje, no Museu do Estado de Pernambuco.

Durante o dia, ocorrem palestras sobre experiências em preservação audiovisual e a apresentação oficial do projeto Cinemateca Pernambucana, com o pesquisador Paulo Cunha

 

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