Classe artística de Pernambuco pede que Petrobras amplie investimentos no Nordeste

Em audiência pública na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, a classe artística de Pernambuco pediu a continuidade e o aumento do patrocínio da Petrobras para projetos culturais

Comissão de Cultura promoveu audiência pública para debater os patrocínios concedidos pelo programa Petrobras CulturalComissão de Cultura promoveu audiência pública para debater os patrocínios concedidos pelo programa Petrobras Cultural - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Em audiência pública realizada na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, a classe artística de Pernambuco, representada pela produtora cultural Tactiana Braga, pediu a continuidade e o aumento do patrocínio da Petrobras em projetos culturais para além da região Sudeste.

A reivindicação veio a partir de mudança orçamentária e no conceito do programa Petrobras Cultural, que agora privilegia o reposicionamento da marca e o potencial retorno de marketing para a empresa. A preocupação da deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) e do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), requerentes da audiência, é sobre o impacto dessas alterações no financiamento da política cultural das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para a deputada Luciana, essa mudança está na contramão do que se entende como política pública. Segundo ela, é preciso distinguir os conceitos de patrocínio e publicidade. "A publicidade se dá dentro dos parâmetros do mercado, mas o patrocínio se trata de jogar luz na diversidade e mostrar a força cultural do nosso País", declarou. “O patrocínio é ajudar aquelas expressões culturais que têm mais dificuldade de mercado, ou que são emergentes, ou que precisam da presença do Estado para ter visibilidade", completou.

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De acordo com o gerente de Relações Corporativas, Eventos e Patrocínios da Petrobras, Diego Pila, a crise que a empresa passou gerou uma necessidade de justificar cada vez mais o investimento feito em patrocínio. “Passamos a trabalhar no sentido de usar o patrocínio no reforço ao posicionamento da marca”, assumiu. Mas, segundo ele, não existe nenhuma premissa de que não se vá investir em projetos fora do eixo Rio-São Paulo.

A produtora artística Tactiana Braga destacou a importância que a Petrobras tem no apoio à cultura brasileira produzida no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. “Para quem não tem acesso à iniciativa privada, para as regiões do Brasil que estão isoladas por uma política que vem de décadas privilegiando uma determinada região ou outras, ter estatais com olhar e atenção especial para esse mercado é muito importante”, afirmou.

Incentivo fiscal

A partir de 2012, houve uma queda no incentivo fiscal de apoio à cultura para a Petrobras. “Nós fomos impelidos a repensar o nosso apoio no sentido de que o recurso que vai ser investido é um recurso próprio, sem incentivo fiscal e significativamente menor do que o que a gente tinha nos anos anteriores”, afirmou Diego Pila. Foi em 2012 também que aconteceu a última seleção pública para o programa Petrobras Cultural.

“Com menos recurso, tivemos que ser mais assertivos e mais focados tanto nas linhas de atuação em cultura quanto nas praças em que a gente ia operar com patrocínio cultural, tendo que obviamente dar prioridade para praças em que a Petrobras tenha operação, tanto do ponto de vista de exploração e produção como também dos mercados prioritários para a companhia, que se concentram no Sudeste”, revelou Diego Pila. “Tudo isso no sentido de contribuir com a recuperação da imagem e a reputação da Petrobras.”

   Críticas

A deputada Luciana Santos criticou o mecanismo de mercado utilizado pela Petrobras no patrocínio cultural. “A ênfase deve ser dada à política pública, na perspectiva de fomentar a diversidade cultural brasileira, e não aos aspectos do marketing e do território mais próprio.”

Ela acredita que os recursos e orçamentos do Ministério da Cultura e das políticas públicas que envolvem o fomento das políticas culturais no Brasil estão muito distantes da diversidade plural e da força da expressão cultural brasileira. "Por isso, a necessidade de a gente cuidar das políticas culturais assertivas que se desenvolveram bem e que tanto contribuíram para a produção cultural brasileira, para que ela não perca espaço e não tenha nenhum tipo de retrocesso", afirmou.

   Petrobras Cultural

O Programa Petrobras Cultural surgiu em 2001 e é considerado o maior programa de apoio à cultura de uma empresa no País. O programa já contemplou mais de 4 mil projetos ao longo dos anos e investiu mais de R$ 2 bilhões. Hoje, a Petrobras não é a empresa que mais investe em cultura no Brasil, mas ainda é uma peça relevante no cenário cultural.

A audiência pública que debateu o tema foi realizada na quarta-feira (16) pela Comissão de Cultura e foi presidida pela deputada Raquel Muniz (PSD-MG).

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