Claudia Castello: uma brasileira nos bastidores de Hollywood

Cineasta carioca trabalhou na montagem de filmes como 'Pantera Negra', 'Creed' e 'Sergio'

Claudia Castello, montadora brasileira Claudia Castello, montadora brasileira  - Foto: Divulgação

A carioca Claudia Castello deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, há quase duas décadas, com o objetivo de aprender inglês. Acabou se envolvendo com o audiovisual e, atualmente, vem se destacando como montadora em Hollywood, atuando em produções independentes e blockbusters, como “Pantera Negra” e “Creed: Nascido Para Lutar". Dois de seus trabalhos mais recentes, os filmes “Sergio” e “Abe”, chegaram recentemente às plataformas de streaming.

Formada em jornalismo no Rio de Janeiro, Claudia passou a frequentar classes avulsas de cinema e TV depois que mudou de país. Conseguiu um emprego como produtora de comerciais em Los Angeles, onde aprendeu a usar Final Cut, um software de edição. Foi quando uma amiga produtora a chamou para editar um curta-metragem.

“Eu disse que era editora, embora só soubesse como usar o programa. Não tinha noção de como montar um curta-metragem de 15 minutos. Depois de duros três meses, consegui finalizar o curta, com direção do brasileiro Allan Fiterman (atualmente na TV Globo). Acabamos ficando amigos e ele me conseguiu uma bolsa de estudos na New York Film Academy, onde fiz um curso intensivo em edição”, conta a cineasta, em entrevista à Folha de Pernambuco.

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A carreira de Claudia começou a decolar depois que ela ingressou na University of Southern California (USC), onde concluiu um mestrado em produção de cinema em 2011. Foi na universidade que teve início a amizade e a parceria com o cineasta norte-americano Ryan Coogler, diretor de “Pantera Negra” e “Creed”. “Quando vi um trabalho dele, sabia que tínhamos que trabalhar juntos”, revela. O primeiro trabalho da dupla foi o curta-metragem “Fig”, realizado ainda na USC. Em seguida, veio “Fruitvale Station: A Última Parada”, estrelado por Michael B. Jordan e vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance, em 2013.

Com o sucesso alcançado com “Pantera Negra”, que está na quarta posição da lista de maiores bilheterias norte-americanas de todos os tempos, Claudia passou a ser convidada para colaborar com outros diretores. Por contar a história de um diplomata brasileiro, o filme “Sergio” teve um gosto especial para ela. “A estrutura desse longa é complicada, e esse desafio me fascinou. Além disso, foi o time mais interessante que já trabalhei. Todos na mesma energia de fazer o melhor”, afirma.

Sendo mulher e latina, a montadora precisou enfrentar alguns obstáculos na indústria cinematográfica norte-americana, mas acredita que suas características são fatores que a diferenciam. “Estamos num momento muito bom para diversidade, porque o cinema está saturado de histórias contadas por homens brancos americanos. O público está sedento de novidades, outros pontos de vista, outras formas de contar histórias e de ver o mundo”, pondera.

Embora sinta vontade de participar de mais produções brasileiras, Claudia acredita que por aqui a forma com que os profissionais do audiovisual se relacionam com o trabalho ainda é afetada por uma cultura colonialista. “Falta que os chefes tenham mais segurança em colaborar, em vez de dar ordens. Apesar da forma hierárquica do cinema, a colaboração é vital no processo criativo”, defende.

A brasileira ressalta, ainda, a importância de quem realiza a montagem para o sucesso de uma produção cinematográfica. “Costuma-se dizer que um filme é escrito três vezes. No roteiro, na direção e na edição/montagem. O montador é o último a escrever o filme. De modo geral, um filme tem de 40 a 100 horas de imagem bruta. O editor, junto ao diretor, vai transformar todas essas horas em um filme de cerca de duas horas. É um trabalho extremamente minucioso, que requer muita concentração e criatividade. A montagem, assim como a direção de fotografia, são consideradas funções técnicas dentro do processo, mas a parte técnica não representa 10% do que se contribui criativamente”, diz.

Diante da pandemia do novo coronavírus, Claudia viu a grande máquina que é Hollywood parar. “As produções todas pararam. Isso afetou a indústria inteira. Desde os departamentos de pré-produção até pós-produções. A Disney foi a primeira a parar, depois foi a Universal, logo em seguida todas as produtoras pararam”, relata. Ela estava montando dois episódios de “Foundation”, série assinada por David Goyer para a Apple TV. Toda a equipe que trabalhava com ela precisou paralisar as atividades. “Temos esperança de que a série volte a ser filmada, mas não sabemos ainda quando”, comenta.

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