Cláudio Ferrario monta dois espetáculos no mês de março

Sem apoio financeiro, ator encena 'A Invenção da Palavra', junto com sua filha Olga Ferrario, e o monólogo 'Martelada'

Artista participou de todo o processo de montagem das peçasArtista participou de todo o processo de montagem das peças - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Antes mesmo de entrarmos em seu apartamento, o ator Cláudio Ferrario, 60 anos, solta uma frase que pareceu flutuar durante toda a entrevista: "O teatro que estou fazendo é um teatro de guerrilha". Com mais de 40 anos de carreira, o artista retorna aos palcos com duas peças feitas com custos próprios, sem apoio de editais públicos.

Tendo iniciado sua trajetória em 1984 com a peça "Cara Metade", o ator reapresenta "A Invenção da Palavra", ao lado da filha Olga Ferrario. O espetáculo - que já foi encenado, em um primeiro momento, em 2016 - retorna ao palco na sexta-feira (2) e no sábado (3). Já o monólogo "Martelada", apresentado pela primeira vez, é realizado nos dias 9 e 10 de março. Ambos os trabalhos serão performados no Teatro Arraial Ariano Suassuna, sempre às 20h.

A ideia de "teatro de guerrilha" defendida por Cláudio parte do ponto em que o ator participou de todo o processo de composição das peças, desde o roteiro aos figurino e cenário. "Quem trabalha com cultura no Estado, principalmente com teatro, meio que se acomodou com essa coisa do edital, não mais se importando com a quantidade de pessoas que vão lá apreciar seu trabalho", critica o ator, que relembra a necessidade da presença do público. "Você não vê teatro em casa. Você se dirigir a um espaço e assistir a uma peça é uma forma de ocupação dos espaços públicos".

" target="_self">

Para Ferrario, o cidadão precisa conviver com sua cidade, pois a sociedade está em uma era de isolamento causada pelo aumento da violência nos grandes centros urbanos. "É terrível, mas as pessoas precisam ir às ruas tanto para reivindicarem seus direitos quanto pelo ato puro de ocupar", analisa o ator.

Cláudio Ferrario divide o palco em "A Invenção da Palavra" com Olga Ferrario, e as relações pai e filha não se revelam diante do público. "O carinho é imenso, principalmente agora que virei avô. Mas em cena a coisa muda de figura... A gente grita, se engalfinha, se mistura dentro dos personagens. E ela é uma profissional com um método diferente do meu, com potencial incrível, e é ótimo trabalhar com ela".

Leia também:
“Três Mulheres e um Bordado de Sol” abre calendário da Caixa Cultural Recife
Teatro do Bonsucesso, em Olinda, é reaberto após 20 anos
Artistas se acorrentam ao Teatro do Parque pela reabertura

Já as influências para a composição de "Martelada" vêm de andanças por cidades da Zona da Mata Norte de Pernambuco, e o espetáculo traz um texto inspirado nas três vezes em que Martelo - figura tradicional do cavalo-marinho - afirma ter ido ao inferno.

Os momentos encenados diante da ribalta não citam diretamente o momento político no qual o Brasil está atravessando, mas Cláudio abre espaço para debates após as sessões. Hoje e amanhã temas como a luta das mulheres e a causa dos trabalhadores sem teto e sem terra serão discutidos; e nos dias 9 e 10 quem ganha destaque é a situação das nações indígenas e comunidades quilombolas do País, e a luta da cultura popular. "A ideia é reunir gente, mostrar que não temos medo em andar pela Cidade", finaliza.

Serviço:
Contragolpe - A Invenção da Palavra e Martelada
No Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457 - Boa Vista)
Nas sextas e sábados (2, 3, 9 e 10 de março)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3184-3057

Veja também

Cinemas da rede UCI Kinoplex no Recife retornam nesta quinta-feira (22)
Retomada

Cinemas da rede UCI Kinoplex no Recife retornam nesta quinta (22)

Batman: O Cavaleiro das Trevas
Cinema

Batman: O Cavaleiro das Trevas