Com agenda no Recife, Arlin Graff fala sobre trajetória e estilo 'geométrico'

Arlin chega ao Recife nesta sexta (28) com a Passport Scotch

Arlin GraffArlin Graff - Foto: Reprodução/Divulgação

A escocesa Passport Scotch traz ao Recife nesta sexta (28) um dos maiores nomes internacionais da arte de rua. O brasileiro radicado em Nova York Arlin Graff, participa de uma série de eventos na galeria Sinspire (R. da Guia, 234) a partir das 14h30. Serão um workshop gratuito de Aceleração para Artistas e uma Roda de Conversa gratuitos, juntamente com o artista recifense Aslan Cabral. As inscrições podem ser feitas através do site da Sympla.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o artista visual do estilo geométrico falou da sua trajetória - que já soma 20 anos -; da sua paixão pela arte de rua, que considera um compartilhamento gratuito de arte com o público; como consolidou seu estilo e quais os principais desafios.

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Folha de Pernambuco - Você começou sua carreira artística em 1999. São 20 anos de trajetória. O que você destacaria de mudança e "evolução" enquanto artista nesse tempo todo? Quem era o Arlin no início e quem é o Arlin agora?

Arlin Graff - Eu acho que em 20 anos tudo muda: a percepção, estilo, trabalho, essência, a poesia de trabalhar na rua. Em 20 anos é difícil comparar, porque são duas pessoas diferentes: o Arlin do começo e o Arlin 20 anos depois é completamente diferente. São 20 anos agregando coisas dentro do meu trabalho. Para mim é mais fácil falar do profissional de hoje que pensa em biodiversidade, pintar animais, que foca em algo que foca além de pintar meu nome (que foi algo que eu comecei fazendo).


Folha - O que te levou ao caminho da arte de rua? Como surgiu essa paixão?

AG - Eu venho de um lugar simples no interior de São Paulo, acho que a falta de oportunidade que eu tinha, na época, foi o que me levou pro graffiti. Porque, na época, o graffiti era uma arte marginalizada. O graffiti sempre foi uma arte que cresceu às margens da sociedade e, hoje em dia, tem esse reconhecimento mundial. Eu acho que isso acabou me motivando. Porque estava tudo dentro de um contexto que eu vinha: brincar na rua, essa interação que eu tenho com as pessoas, com os locais.


Folha - Quais as especificidades de pintar uma arte num muro grande em relação à pintura em telas menores?

AG - A diferença de pintar um muro para uma tela menor está justamente no direcionamento, no destino final. Porque quando você pinta um quadro, geralmente, ou vai para um colecionador, um cliente privado, ou acaba indo para um museu: você acaba limitando o público que vai ter acesso àquele quadro e, geralmente, esse trabalho é restringido para um público que tem um poder aquisitivo mais forte. O que acaba limitando outro público, por exemplo, uma pessoa de periferia de ter acesso ao trabalho. Até porque esse tipo de público não tem hábito de visitar museus ou, às vezes, de ter uma obra na sua casa. Quando eu pinto na rua, eu estou compartilhando de graça com o público. Não importa se o projeto tem um patrocínio externo, privado, o que importa é que o trabalho acaba ficando para o público, para a comunidade. Para mim, ao meu ver, arte pública é de graça, na rua. É compartilhar cultura com essas pessoas e mostrar os diversos caminhos que você pode ir dentro da arte.
Arlin Graff

Arlin Graff - Foto: Reprodução/Divulgação

Folha - Qual trabalho, entre os que você já fez, você considera o mais complexo?

AG - Essa definição de ser mais fácil, difícil ou complexo é bem subjetivo. Todo mural acaba sendo complexo em algum aspecto. Ou complexo na criação da arte ou complexo na execução. Ou fácil na execução e difícil/complexo na concepção. Pintar na rua, muros grandes, sempre tem desafio. Muitas vezes você precisa de ajuda da própria cidade para colocar equipamentos na rua, “parar o trânsito”, tem o desafio do tempo e do clima. No geral, todo mural tem o seu desafio peculiar. Um muro médio porte pode demorar uma semana, grande porte demora meses.

Folha - Quanto tempo demora, em média, a pintura de um muro? Quais talentos, além do artístico, deve-se ter?

AG - Eu não acredito muito em talento, não. Arte é mais associado a ser teimoso. Tem que insistir e você vai perceber que não é fácil. Você vai olhar pra dificuldade e, se quiser continuar neste caminho, você vai ter que enfrentá-la. Você para pra pensar que não sabe isso ou aquilo, mas você vai continuar procurando. O feeling/amor é o que vai te levar para a melhora. Tem o lance do talento, mas o amor é o que vai te levar.

Folha - O que te agrada esteticamente no 'geométrico'? Você sempre apostou nesse estilo? Como foi suas primeiras experiências com essas formas?

AG - O estilo do meu trabalho é muito forte e foi o que me abriu muitas portas porque eu criei a minha forma de fazer desenhos geométricos. Porque isso já está na história do mundo há muito tempo. Eu demorei 10 anos para desenvolver o meu estilo e conseguir consolidar isso. Eu não conheço nenhum artista que tenha um estilo, que você consegue reconhecer ele pelo estilo que não tenha, no mínimo, uns 10 anos para criar um estilo. O meu, especificamente, vem de uma família que tinha o pai artesão e eram pessoas muito criativas em relação a reutilizar os materiais. Quando criança, eu brincava com pedaços de madeiras e é daí que vem o meu estilo Daí, mescla um pouco com o tempo que eu trabalhei com direção de arte, com publicidade e acabei juntando tudo isso com um pouco da experiência que eu tinha com graffiti e nasceu o meu estilo. Depois do meu estilo, foquei no meu tema e como a gente é brasileiro, o nosso estilo tem muito reconhecimento lá fora. No geral, o meu estilo tem origem na infância.

Serviço: 
Passaport traz o mundo colorido e geométrico de Arlin Graff para o Recife
Nesta sexta-feira (28), a partir das 14h30
No Sinspire – Praça do Arsenal, Recife Antigo
Aberto a maiores de 18 anos - 20 vagas
Inscrições Workshop

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