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LANÇAMENTO

Com integrantes de Skank e Penelópe, Capsula estreia com single sobre a era das notificações

"Dopamina", primeira faixa divulgada pelo novo projeto, chega às plataformas digitais combinando pop, rock e reggae para abordar ansiedade, hiperconexão e desgaste emocional na vida contemporânea

Banda Capsula estreia oficialmente com o single "Dopamina", lançado no fim de maioBanda Capsula estreia oficialmente com o single "Dopamina", lançado no fim de maio - Foto: Diego Rhuan/Divulgação

O grupo Capsula lançou, na última sexta (29), seu primeiro lançamento oficial. Disponível nos serviços de streaming, o single “Dopamina” inaugura a trajetória da banda formada por Érika Martins, Fernando Americano, Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti, músicos com passagens por nomes marcantes da cena brasileira como Skank, Penélope e thesurfmotherfuckers.

A faixa antecipa a sonoridade construída pelo quarteto ao longo de meses de criação coletiva. A combinação entre a base rítmica de Haroldo Ferretti (bateria) e Lelo Zaneti (baixo), as camadas de guitarra de Fernando Americano e os vocais de Érika Martins resulta em uma canção que circula entre diferentes influências, aproximando elementos do pop, do rock e do reggae.

Retrato da hiperconexão
Em “Dopamina”, a banda transforma em música questões que atravessam o cotidiano contemporâneo. 

O tema central gira em torno da dependência digital, da pressão gerada pelo fluxo incessante de mensagens e alertas e do impacto emocional provocado pela necessidade constante de estar conectado.

A composição funciona como um comentário sobre uma sociedade marcada pela busca permanente por atenção e validação, refletindo sobre os efeitos desse comportamento na saúde emocional.

Encontro de trajetórias
O surgimento da Capsula foi resultado de uma série de conexões pessoais e profissionais construídas ao longo dos anos em Belo Horizonte. 

Embora compartilhassem círculos de convivência semelhantes, os integrantes nunca haviam desenvolvido um trabalho autoral em conjunto.

A aproximação aconteceu de forma espontânea e evoluiu para um projeto que privilegiou a troca de ideias e a maturação das composições. 

Durante cerca de um ano, os músicos se dedicaram ao repertório longe dos holofotes, em um processo que contrariou a lógica acelerada dos lançamentos frequentes exigidos pelo mercado digital.

Grande parte desse trabalho ocorreu no Estúdio Bamboo, instalado na residência de Haroldo Ferretti, em Nova Lima. Entre encontros presenciais e intercâmbio constante de arquivos, o grupo investiu na experimentação sonora, revisando arranjos e explorando diferentes possibilidades para cada música.

Música sem pressa
A identidade artística da Capsula nasce justamente da valorização desse processo artesanal. Em vez de priorizar fórmulas voltadas para o consumo rápido, a banda aposta em canções desenvolvidas com tempo, cuidado e participação direta dos músicos em todas as etapas da produção.

O repertório transita por referências que incluem pop, pós-punk, dub, indie rock e o chamado rock adulto. 

As letras exploram temas ligados às transformações das relações humanas na era digital, abordando sentimentos como ansiedade, esgotamento emocional e a dificuldade de encontrar equilíbrio em um ambiente de estímulos permanentes.

Com a estreia de “Dopamina”, a Capsula se apresenta como um projeto que busca reafirmar a dimensão humana da criação musical, apostando em composições construídas coletivamente e em uma abordagem que privilegia a autenticidade em meio ao excesso de informação e velocidade do universo digital.
 

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