Com seu "Rock da Cachorra", Eduardo Dussek faz show nesta quinta-feira no Santa Isabel

O cantor mostra que continua com o humor em alta, em seu show de 40 anos de carreira

Cantor Eduardo DussekCantor Eduardo Dussek - Foto: Carol Beiriz/Divulgação

Com mais de 40 anos de carreira, o cantor, compositor e pianista Eduardo Dussek inovou nos anos 1980, ao colocar pitadas de humor ácido e teatralidade ao então nascente rock nacional, que anos depois estouraria com Blitz e Barão Vermelho, entre outros.

O artista repassa as quatro décadas no palco do Teatro de Santa Isabel hoje, com show dentro do projeto Canto Brasil.

Sozinho ao piano, Dussek entoa músicas como “Rock da Cachorra” (do refrão “Troque seu cachorro por uma criança pobre”), “Barrados no Baile” e “Nostradamus”, sobre o fim do mundo. A canção, lançada no final dos anos 1970, permanece atual, ainda mais considerando as recentes movimentações políticas no mundo.

“Na época da canção, eu realmente acreditava que a sociedade ia se autodestruir, tinha essa premonição convicta. E é meio louco como isso ganhou outro significado hoje. Tudo isso que está acontecendo com Trump, Coreia do Norte, parece que a humanidade fez a escolha perigosa de permitir coisas assim” opina Dussek, em entrevista à Folha de Pernambuco.

Mas apesar da temática pessimista, a música é cantada com a ironia e cinismo típicos do repertório do cantor, que garante que o espetáculo é para divertir e fazer rir. “É até engraçado isso. As pessoas acham que eu sou comediante, mas eu não sou e nunca fui. Sou uma pessoa seríssima, o mundo é que é uma piada! (risos)”.

Ele também afirma não tratar de política na apresentação: “Não gosto de fazer isso e nem quero tomar partido. Não sou de direita nem de esquerda, sou do alto!”, brinca.

Eduardo Dussek mistura a performance musical com momentos pontuais de stand up comedy, fazendo piada consigo mesmo e, frequentemente, com a própria plateia de cada show, além de peculiaridades de cada cidade em que se apresenta.

O cantor é da mesma geração de artistas como Léo Jaime e a banda João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, que também levavam humor escrachado às músicas. Ele sente, no entanto, que após os Mamonas Assassinas, já nos anos 1990, o tom ácido foi se perdendo na música popular.

“Não sei se a piada perdeu um pouco a graça, mas eu gosto de pensar que o humor migrou para outros espaços. Hoje em dia você tem muita tecnologia e tem um pessoal muito bom fazendo isso na internet”, opina. Ele revela ainda um dos segredos para a longevidade: “Você só não pode estar datado. A piada e o seu humor têm de funcionar sempre”. O show de abertura é de Kauê Besen.

Serviço:
Show de Eduardo Dussek
Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Nesta quinta-feira (8), às 20h30
R$ 140, R$ 80 (social), R$ 70 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3323

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