Companhia das Letras lança livro com poemas inéditos de Oswald de Andrade

"Poesias Reunidas" ressalta o poder de síntese e o humor do autor

Descoberta dos textos de Oswald foi feita há mais de 20 anos, pelas pesquisadoras Gênese Andrade e Dileia Zanotto ManfioDescoberta dos textos de Oswald foi feita há mais de 20 anos, pelas pesquisadoras Gênese Andrade e Dileia Zanotto Manfio - Foto: Arte: Hugo Carvalho sobre foto de internet

 

Não está claro por que Oswald de Andrade (1890-1954) não os publicou, uma vez que são textos acabados. Mas agora eles vêm à tona. A nova edição das “Poesias Reunidas” do modernista traz 22 poemas inéditos do autor, que ficaram guardados nos antigos cadernos dele. A descoberta foi feita há mais de 20 anos, pelas pesquisadoras Gênese Andrade e Dileia Zanotto Manfio. A ideia era tê-los publicado numa edição coordenada por Jorge Schwartz, crítico literário e professor da USP.
O volume faria parte da Coleção Archivos, projeto internacional de edições críticas de autores latino-americanos, mas acabou por nunca ser lançado. Como a Companhia das Letras começou a lançar a obra do modernista no ano passado, resolveu incluir os textos. “Pela qualidade, não vejo os poemas como exercícios. Eles estão sintonizados com vários momentos da poesia, em especial os da década de 1920. Mas não sabemos a razão de não terem sido publicados”, diz Schwartz. As “Poesias Reunidas” haviam sido publicadas primeiro em 1945 em uma edição de luxo e, depois, em 1966. Ou seja, eram mais de 40 anos com o livro fora de catálogo. Quando os poemas foram descobertos, nos anos 1990, os originais ainda pertenciam aos herdeiros. Hoje, estão nos arquivos da Unicamp.
Universidade
“Acredito que ficaram esparsos, eventualmente excluídos numa primeira seleção, ou podem ter sido escritos posteriormente e guardados. O trabalho de arquivo, ao contrário do que em Mário de Andrade, nunca foi o forte do Oswald”, diz Schwartz. Entre os inéditos, há dois intitulados “História de José Rabicho”. O primeiro é um conjunto de 14 poemas curtos; o segundo, um poema em prosa. Para Schwartz, ambos têm “o frescor” de “Pau Brasil” (1925) - seja pelo poder de síntese, seja pelo humor.

Ironicamente, um deles, chamado “Reivindicação”, começa com os versos “Que pena/ Não achar/ Aquele Poema/ Que eu fiz/ Antes de todos/ Os poemas”. “Esses poemas não têm valor só por serem inéditos, mas por terem valor estético. Vejo todas as marcas da poética do Oswald. Uns, da época de ‘Pau Brasil’, têm o espírito do poema curto, do poema-piada”, diz Gênese Andrade. Além dos inéditos e de “Pau Brasil”, as “Poesias Reunidas” trazem “Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade” (1927), “Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão” (1942) e “O Escaravelho de Ouro” (1946), entre outros. “A síntese, a apropriação, o coloquialismo, a fragmentação, o elemento naif, fazem do Oswald um poeta moderno e também um poeta contemporâneo do século 21”, afirma Schwartz.

 

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