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Confira as melhores séries e minisséries lançadas em 2019

Ano termina com saldo positivo na televisão

Dev Patel e Catherine Keener integram elenco de "Modern Love"Dev Patel e Catherine Keener integram elenco de "Modern Love" - Foto: Reprodução

Chegamos à última coluna do ano e o assunto não poderia ser outro: as melhores séries e minisséries que estrearam em 2019. No mundo televisivo é comum haver cancelamentos e renovações, desta vez não foi diferente. O descarte de “The O.A” e “Anne With An E”, por exemplo, pegaram todos de surpresa, ambas muito queridas entre os consumidores da Netflix. Séries que retornaram este ano, mas que já estão em transmissão há algum tempo, se destacaram com os novos episódios. Cito a terceira temporada de “Stranger Things” e “The Crown”, que foram bastante elogiadas por fãs e críticos.

Sem mais delongas, apresento a seguir uma lista com o que acredito ser os maiores lançamentos de 2019. Não há ordem de preferência e não limitei quantidade, mas contei um pouco da história e onde é possível assistir cada uma delas. Comentem quais séries vocês incluiriam na lista, indicações são sempre bem-vindas. Feliz Ano Novo, leitores!

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Melhores lançamentos de 2019:

Euphoria

Quando a sinopse de “Euphoria” foi divulgada parecia ser apenas mais uma série teen, mas sua estreia veio acompanhada de polêmicas e surpresas positivas em relação à qualidade da história. Rue, interpretada pela Zendaya, é uma adolescente viciada em drogas que passa um bom tempo internada após uma overdose. A série tem início quando ela retorna para o convívio com a família e amigos, mas rapidamente o roteiro cria várias ramificações e passa a retratar a experiência de vida de vários personagens, sempre com a protagonista como narradora.

Uma das questões que põe “Euphoria” em prova é o fato de ser uma história sobre a geração Z, porém realizada para o público adulto. A nudez excessiva incomodou parte dos telespectadores, mas não vejo esse ponto como algo negativo, principalmente por ela vir acompanhada de uma técnica de filmagem, edição e montagem considerada cinematográfica, além de grandes atuações de elenco.

Status: Renovada para a segunda temporada.
Onde assistir: HBO Go.



The Act

Ainda que tenha sido enquadrada como minissérie nas categorias do Emmy Awards 2019 (Patricia Arquette venceu na categoria de melhor atriz por este trabalho), reza a lenda que “The Act” pode se tornar uma série antológica, ou seja, sendo renovada para outras temporadas, mas contando histórias diferentes. Nada foi confirmado ainda.

Na primeira temporada, a história é baseada em fatos e acompanha a vida de Gypsy (Joey King), uma jovem que, em 2015, foi presa e condenada pelo assassinato de sua mãe, Dee Dee Blanchard (Arquette). O ponto forte da série está na química entre as duas atrizes e na representação de um relacionamento conturbado e doentio. A fotografia da série e o cuidado com a ambientação e figurino são um espetáculo à parte.

Status: Ainda incerto.
Onde assistir: Apple TV.



Chernobyl

Vencedora na categoria de Melhor Minissérie no Emmy Awards 2019, “Chernobyl” revisita o desastre nuclear que aconteceu no norte da União Soviética de 1986 e nas consequências devastadoras na região. Os cinco episódios da minissérie foram baseados no livro “Vozes de Tchernóbil”, de Svetlana Aleksiévitch, e fez tanto sucesso que ultrapassou os números de avalições de grandes produções como “Breaking Bad” e “Game Of Thrones”.

Status: Finalizada.
Onde assistir: HBO Go,



The Morning Show

Sem dúvida uma das minhas preferidas do ano, “The Morning Show” chegou ao público como uma série original da Apple TV+, serviço de streaming que estreou no Brasil em novembro e conta com diversas séries exclusivas. Carro chefe do catálogo, a trama expõe o caso de assédio sexual de um famoso apresentador de programa matutino nos Estados Unidos e do jogo de poder em que sua companheira de bancada se envolve para manter seu emprego e carreira intactos.

A série conta com Steve Carell interpretando o apresentador abusador, Jannifer Aniston como a segunda âncora do jornal, além de Reese Witherspoon sendo uma jornalista temperamental que acaba caindo de paraquedas no meio de tudo isso. “The Morning Show” já conta com algumas indicações nas principais premiações televisivas. É divertido e sufocante acompanhar a relação das personagens de Aniston e Witherspoon, as atrizes já tinham sido irmãs na saudosa “Friends”, e talvez resgatar essa química tenha sido uma das melhores investidas da produção. Na história, ambas saem da zona de conforto de papéis clichês e românticos, reafirmando o óbvio: no quesito versatilidade, as duas são icônicas.

Status: Renovada para segunda temporada.
Onde assistir: Apple TV+.



Modern Love

A série mais amorzinho que você encontrará nessa lista é “Modern Love”. São oito episódios de 30 minutos de duração, cada um contando uma história diferente sobre amor, redenção e empatia. Como o nome sugere, as tramas abordam vários tipos de relacionamento (não apenas o romântico) no mundo moderno, como o de uma jornalista que desenvolve uma amizade improvável com seu entrevistado e ambos acabam relatando suas experiências românticas. Em um mundo com tanto atrito e violência, “Modern Love” é um presente para aqueles que querem se afastar da negatividade e respirar ares positivos.

O elenco conta com rostos já conhecidos do público, como a atriz Anne Hathaway, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Os Miseráveis”. O ator Dav Patel (Skins), indicado ao Oscar no longa “Lion”, também participa de um episódio. Andrew Scott, conhecido por interpretar o vilão Moriaty em “Sherlock” e Julia Garner, vencedora do Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Drama na série “Ozark” também estão no elenco.

Status: Renovada para segunda temporada.
Onde assistir: Prime Video.



Special

A Netflix tem colocado cada vez mais diversidade em seu catálogo, seja com séries estrangeiras ou com elenco pluralizado. A série "Special", por exemplo, é uma das produções mais leves do streaming, contando a história biográfica de um jovem gay e com paralisia cerebral leve em sua busca por autoestima e aceitação. Acontece que “Special” é baseada na vida de Ryan O'Connell, que também interpreta o protagonista. O rapaz escreveu o livro "I'm Special: And Other Lies We Tell Ourselves" (Sou especial: E outras mentiras que contamos a nós mesmos), que também serve de ambientação para a série. Com oito episódios de no máximo 15min de duração, terminar o ano maratonando essa série é a melhor coisa que você pode fazer.

Status: Renovada para segunda temporada.
Onde assistir: Netflix.



Sex Education

2019 começou com a estreia de “Sex Education” na Netflix. Os mais antigos vão reconhecer a atriz Gillian Anderson, de “Arquivo X”, desta vez como uma terapeuta sexual que tem um filho adolescente chamado Otis. Mesmo sendo virgem, ele entende muito sobre o tema por observar o trabalho de sua mãe. Após perceber que os alunos do seu colégio sentem a necessidade de tirar dúvidas sexuais, ele se une com dois amigos para montar uma clínica clandestina e, assim, ganhar dinheiro.

A ideia de transformar um tema tabu em algo banal é o principal objetivo da série, mas isso não tira o mérito do aprofundamento de subtemas igualmente bem apresentados, como aborto, preconceito e bullying. Embora dita como uma série de comédia, a produção desenvolve arcos mais voltados para o drama, com diálogos inteligentes e personagens carismáticos. A segunda temporada já está garantida para o mês que vem. Leia a crítica da primeira temporada aqui.

Status: Renovada para a segunda temporada
Onde assistir: Netflix.



The Boys

Uma das coisas que mais chama atenção em “The Boys”, além dos efeitos especiais, é a inversão de valor dos heróis. Na cultura pop, eles são vistos como líderes da nação, sinônimo de coragem e justiça. Aqui acontece o posto. A história acompanha um rapaz que perde a namorada quando ela se envolve em um acidente causado por um super-herói. Quando investiga o caso, ele percebe que existe um sistema pensado unicamente em inocentar os heróis de qualquer tipo de envolvimento criminoso.

Embora não tenha lido as HQs em que a série é baseada, alguns críticos americanos afirmam que “The Boys” não é 100% fiel na adaptação, o que quase nunca acontece em produções desse tipo. Para os telespectadores que não conhecem a literatura, a narrativa não deixa a desejar, é leal ao que se propõe enquanto entretenimento televisivo e um trabalho bem feito que engloba todo tipo de público.

Status: Renovada para a segunda temporada.
Onde assistir: Prime Video.



Years and Years

Se você é uma daquelas pessoas que acreditam em teorias da conspiração e que o mundo deu ou vai dar errado, “Years and Years” será uma série que vai piorar todos os seus medos. A produção é uma parceria entre a BBC e a HBO, acompanhando a família Lyon ao longo de alguns anos. A história mescla os piores cenários entre a tecnologia e a política em um mundo distópico, mas ao mesmo tempo bem próximo da realidade. É como se o roteiro mostrasse ao mundo todos os temores do século XXI se tornando realidade em um estilo “Black Mirror”, como a Terceira Guerra Mundial, por exemplo.

Ainda que sinta uma necessidade de justificar e analisar os temas sem apenas incitar o caos, “Years and Years” é aquela série que se leva ao bar em uma roda de amigos para discussão.

Status: Finalizada.
Onde assistir: HBO Go.



Watchmen

Assim como na HQ, a série “Watchmen” também traz as consequências do ataque de uma lula-gigante nos Estados Unidos. O roteiro é o grande sucesso da produção, que soube trabalhar personagens já conhecidos pelo fãs da literatura, adicionado com pessoas novas e ambientação baseada nos conflitos raciais de 1921 envolvendo a Klu Klux Klan. Misturar ficção com realidade foi um dos grandes méritos do criador, Damon Lindelof.

De todas as qualidades de “Watchmen”, destaco aqui a atuação de Regina King, que interpreta uma detetive que tem como objetivo lutar contra assassinos da Sétima Kavalaria. Sua personagem é diferente de qualquer outro já feito (Seven Seconds, The Leftovers), mas sua presença na história parece ser o principal sucesso da série, sem ela, talvez a série não tivesse o nível que alcançou. Até nos episódios em que King não é o foco, o desejo é que ela volte logo para vermos um pouco mais de seu trabalho.

Status: Finalizada.
Onde assistir: HBO Go.



Olhos que Condenam

Criada também a partir de uma história real, “Olhos que Condenam” é original Netflix e narra a trajetória de cinco adolescentes que são injustamente acusados de estuprar uma mulher em 1989, no Central Park. A minissérie conta com quatro episódios e rendeu um Emmy de Melhor Ator em Minissérie para Jharrel Jerome.

O racismo e a injustiça que ronda todo o processo judicial de “Olhos que Condenam” é de deixar qualquer um contrariado. Esse é um dos melhores trabalhos de Ava DuVenay (Middle of Nowhere), criadora da série, que desenvolve uma trama crua e dolorosa de assistir, cumprindo seu papel de questionar a tática policial que foi contra a igualdade racial neste caso.

Status: Finalizada.
Onde assistir: Netflix.



Inacreditável

Assim como “Olhos que Condenam”, a série “Inacreditável” também aponta para a ineficiência de um sistema policial falho quando o assunto é justiça. Nesta minissérie, a trama é dividida em duas partes. A primeira se passa no ano de 2008 e apresenta o descaso da polícia e da cidade de Washington no caso de Marie Adler (Kaitlyn Dever), uma sobrevivente de abuso sexual que é constantemente posta em dúvida por todos ao seu redor, prejudicando sua vida inteira. O segundo ato acontece em 2011, acompanhando a investigação das detetives Grace (Toni Collette) e Karen (Merritt Wever) sobre um assediador.

O clima é pesado nas duas partes da série, que faz questão de tratar o tema de maneira expositiva e sem rodeios, ainda que o suspense e a tensão se faça mais presente na segunda metade, a carga dramática se desenvolve bem na primeira. O elenco não poderia ser outro, o trio de atrizes brilha perfeitamente e um reflexo disso está na recente indicação de todas elas ao Globo de Ouro deste ano.

Status: Finalizada.
Onde assistir: Netflix.



Aruanas

Tem Brasil na lista de melhores de 2019. A série “Aruanas” é uma das originais da Globoplay e conta a história de Luíza, Natalie, Verônica e Clara. As três primeiras são criadoras da ONG Aruana e tem como objetivo lutar pelos direitos dos índios locais e da Amazônia. Tema bem atual dentro do que vivemos na política recentemente.

Ainda que o tema geral já incite a curiosidade no público, são as questões pessoais de cada personagem que dão o tom da série, tratando temas como relacionamento abusivo, aborto, relacionamento, assassinato e, claro, a preservação do meio ambiente. A divisão entre o problema principal e os individuais de cada personagem direciona o público a pensar que a energia das protagonistas só pode ser direcionada para um elemento e que a escolha entre a vida profissional e a pessoal significa o êxito de uma e a decadência da outra, acompanhar a constatação ou não desse fato é o que faz o público querer chegar ao último episódio.

Com Débora Falabella, Leandra Leal, Taís Araujo e Thainá Duarte no elenco, “Aruana” foi distribuída em 150 países e com certeza vale uma maratona.

Status: Renovada para segunda temporada.
Onde Assistir: Globoplay.



*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 280 produções e já assistiu mais de 7 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Twitter: @seriedecoisas_ YouTube: Uma Série de Coisas. Podcast: Pocbuster. Portal: umaseriedecoisas.com.br.

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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