Contato com a natureza – a cura na Chapada Diamantina

A beleza da Chapada é um abastecedor energético natural, mas se permitir em sentir e absolver a energia é uma cura de corpo e alma em todas as dimensões

Hotel de LençóisHotel de Lençóis - Foto: Dário Campos

Após a cirurgia, eu já tinha programado as minhas férias por 15 (quinze) dias.

Inicialmente pensei em apenas descansar em Petrolina com minha mãe Maria Martins Teixeira e as minhas irmãs Adalice (Dadá), Eliamar e Luzimar, além de rever os meus amigos de infância. Estar com a minha família em Petrolina já é um verdadeiro espaço de lazer, já que me divirto muito.

Porém, quando faltavam vinte dias para o início, senti vontade de ter mais. Fazer uma cura maior e ao mesmo tempo algo novo. Uma entrega no escuro sem conhecer e também curar.

Eu era a única da minha casa de Petrolina que não conhecia a Chapada Diamantina. Fui conversar com a minha mãe e amigas, a logística para sair de Petrolina era mais complexa, mesmo sendo mais perto.

Nesse momento, entrei em contato e joguei o problema para a Agente de Turismo Marta Santos que sempre organiza minhas viagens.

A Chapada Diamantina é composta por 24 municípios: Abaíra (juntamente com seu distrito Catolés e seu povoado de Ouro Verde), Andaraí, Barra da Estiva, Ibitiara, Iramaia, Itaetê, Marcionílio Souza, Morro do Chapéu, Novo Horizonte, Palmeiras, Rio de Contas e seus distritos Arapiranga e Marcolino Moura, Seabra, Souto Soares, Tapiramutá, Utinga, Wagner, Boninal, Bonito, Ibicoara e seus distrito Cascavel, Iraquara e seu distrito Iraporanga, Jussiape e seu distrito Caraguataí, Lençóis, Mucugê, Nova Redenção e Piatã e seus distritos Cabrália e Inúbia.

Aí a sugestões de amigos sempre podem ser colhidas. A voz da experiência pode fazer muita diferença.

Começar o passeio pelo Vale do Capão na Pousada Lendas do Capão, depois ir para Lençóis-BA e concluir com o passeio Enoturístico em Petrolina-PE - foi o roteiro.

Com a intenção de viver uma aventura saudável, fomos de ônibus de Salvador-BA para Palmeiras-BA. O nosso transfer foi Vando da Pousada Lendas do Capão que nos levou ao nosso destino. O funcionário Juan e o cozinheiro Lima estavam a nossa espera. Inicialmente o quarto diamante (da árvore) que tinha escolhido para surpreender ainda mais o marido sequestrado, estava ocupada. Ficamos assim no quarto rubi (uma das minhas pedras prediletas). Nos últimos dias da viagem estaríamos no quarto que denominei de Tarzan e Jane.

Realmente sentimos a energia de cura que a região exala logo na primeira noite, foi excelente. Assim que acordei, fiz minhas meditações.

O nosso guia no Vale do Capão foi Eduardo, mais conhecido como Eduardo Taxi, indicado por Melina Alves que trabalha na Pousada.

Com Eduardo conhecemos a Cachoeira da Fumaça, Cachoeira Boa Vista (deveria ser chamada de Bela vista) e o Parque Natural Municipal do Riachinho nos dois primeiros dias.

Antes de seguirmos para Cachoeira Boa Vista, fizemos reserva para almoçar no Restaurante de Ivo e Maria, simples mais gostoso e a comida é regional (muito disputado, por isso a reserva). A cachoeira Boa Vista é bonita, mas a conversa com o dono da propriedade, Senhor Zezão, foi tão rica quanto à trilha. Nesse momento, eu senti falta de um museu na cidade e um registro da história local que é muito rica.

Foi com a fala do Senhor Zezão que compreendi a forte energia de cura da região. Ela não ocorre só por causa da milenar sedimentação geológica da região, os nativos que lá habitavam na sua maioria trabalhavam com cura, principalmente as mulheres. Muitas delas eram pegas no laço (eram caçadas como animais - infelizmente) para se tornarem curandeiras e/ou parteiras na região, como foi o caso da bisavó dele.

Os negros que vieram da África ou nascidos no Brasil, levados para trabalhar no garimpo. Alguns fugiram por dentro da mata e criaram quilombos. Alguns foram exterminados, outros conseguiram escapar do massacre e construir suas histórias.

Parei na lojinha da Flor para comprar cristais que ainda não tinha visto. Os preços são acessíveis.

Na última noite, fomos à vila do Capão comer na Pizzaria do Capão, mais conhecida como Pizzaria do Thomas (um Suíço casado com a Pernambucana Linalda). Excelente pizza. Fui para comer pouco e comi quase tudo. Razão que diz: Se for para o Capão e não comer a pizza do Thomas, não foi para o Capão.

Desistimos de ir de ônibus para Lençóis. Seguimos com o guia Eduardo para fazermos passeio e ele nos deixaria no Hotel de Lençóis no final. Após a despedida com a equipe da pousada: Melina, Robério Dias, Roseane Pavizini, Claudia, Juan, Lima, Rose, Vando, Dani e Nilza partimos para Gruta da Lapa Doce.

A região recebe muitos turistas, assim como muitos pesquisadores nacionais e internacionais como geólogos, botânicos, químicos, espeleólogos, entre outros. Muitas plantas estão sendo pesquisada para o surgimento de novos medicamentos com a intenção de ter menos efeito colateral no ser humano, a exemplo do remédio de pressão.

Na Gruta da Lapa Doce tivemos Manuel como guia. Conhecedor da história e da botânica local, além contar sobre algumas pesquisas que estão sendo desenvolvidas na região, inicialmente pela Universidade São Paulo (USP) e depois em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Ao sairmos da Gruta Lapa Doce fomos para Grutas da Pratinha – água super clara, lá fizemos pequeno mergulho. Por estar nublado, não foi possível irmos para Gruta Azul.

Para ver o por do sol: Morro do Pai Inácio (a história trágico romântica - o escravo que se apaixona pela sinhazinha as escondidas e passa a ser perseguido pelo pai e seus jagunços). O morro é meia hora de subida para ver cenários dos cartões postais da Chapada Diamantina. É uma subida que vale a pena e uma emoção sem palavra ao ver o por do sol dali. Se possível, sente e faça uma meditação.

Eduardo nos deixou no Hotel de Lençóis, lá fomos recebido por Geovani, Lopes e Antonio. Tomamos banho e saímos para conhecer um pouco da cidade, dessa forma beliscamos algo no restaurante de Adriana e conversávamos com o Ian, do restaurante vizinho (tudo em frente ao Banco do Brasil).

Por orientação de Eduardo, contratamos o serviço do guia da Associação de Guias de Lençóis - ACVL. Fomos contemplados com o guia Enéas Alcântara (além de ser da região é um pesquisador nato, também de trabalhar com outros pesquisadores acadêmicos).

Enéas nos levou na Cachoeira de Mosquito – além da linda cachoeira, o local fornece boa refeição e excelentes sucos.

Partimos para o Rio Mucugezinho e Poço do Diabo. É perto do Poço do Diabo que muitas pessoas fazer rapel (uma atividade vertical praticada com uso de cordas e equipamentos adequados para a descida de paredões e vãos livres bem como outras edificações). Apesar de ter acrofobia (medo exagerado e irracional de altura), eu não me assustei com o Morro do Pai Inácio, mas fiquei temerosa com a trilha do Poço do Diabo. A preocupação de Enéas é se eu tinha também vertigem, como eu não tinha, nós seguimos o caminho e absolvemos mais um excelente momento. Porém para o poço, eu sugiro que usem flutuador para nadarem nele.

Quando retornamos do Poço, conversar com Joelma (excelente opção para refeição e água de coco super doce) é uma boa pedida, além de recuperar o fôlego.

Na entrada do Rio e do Poço do Diabo tem uma loja que pode adquirir lembranças da viagem com preço acessível. Também fornece refeição.

Retornamos para o hotel. A atenção da recepção com os aqui já citados, incluindo Moisés, Moura e Roberto, eu fiquei a dar riso das brincadeiras da equipe. No restaurante com a gentileza de Andréa ficamos à noite no hotel para finalizar o dia.

Acordar neste hotel é ir ao céu, pois o café da manhã é divino com Nayra oferecendo tapioca e Abelário a informar quando chegava algo novo no restaurante - só desenvolve o excelente pecado da gula. 

Hora de despedida e a certeza da volta para a região é imensa, mas para conhecer a Chapada Diamantina toda é no mínimo um mês.

Dá para fazer meditação em todos os locais que as trilhas são finalizadas. Existem profissionais que praticam Yoga, Meditações e Massoterapeutas na região.

No percurso da viagem também houve imprevistos. Nós ficávamos tranquilos, riamos. Na verdade, eu gargalhava em muitas situações. Estávamos abertos para o que vier e dispostos a manter o equilíbrio em todas as dimensões: física, mental, espiritual e emocional. A recuperação de uma cirurgia deve sempre ter esse foco, pois os corpos (físico, etérico e emocional) ficam expostos e abertos. Fortalecê-los para seguir na caminhada é um bom caminho e evita problemas futuros. O contato com a natureza é primordial.

A consciência da importância da conservação da natureza é muito forte por todos que conheci, pois a região hoje tem uma forte renda em decorrência do turismo. Podem melhorar e aproveitar mais? sim. As pessoas estão dispostas a aprender e são bem receptivas para os turistas, além de buscarem fazer cursos institucionais fornecidos na região.

Vi pessoas serem ousadas para andar sem guia, sozinhas ou em dupla que é um grande perigo e se perderem. A região tem seus segredos e malícias para os que não a conhecem. No percurso da Cachoeira da Primavera, entre o Poço Paraíso para o Mirante de Lençóis, no caminho estavam duas jararacas se acasalando. Seguimos o nosso caminho em paz e creio que o acasalamento foi concretizado na mesma harmonia.

Fiquei extremamente fortalecida com essa viagem na Chapada Diamantina. Foi excelente!

A ida para Petrolina foi uma verdadeira e maravilhosa cartase (refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional), mas ficará para um próximo texto.

Finalizo aqui com a frase do Poeta e Escritor Português Fernando Pessoa (1888-1935): “Para viaja basta existir”.

Profissionais e locais citados na matéria:


Marta Santos
– Agente de turismo – Contato: (81) 99952.8010 - E-mail: [email protected]

Lendas do Capão Pousada
- Rua dos Gatos, 201, Vale do Capão. Contatos: (75) 3344.1141 / (71) 99109.6704 (WhatsApp).

Eduardo Taxi
– Guia turístico – Contato: (75) 99256.8519.

Flor
– Comerciante e vende cristais – (75) 99183.3571.

Hotel de Lençóis
- Praca Altina Alves, 747, Lençóis-BA. Contatos: (75) 3334.1102/ (75) 3334.1201 / (71) 99615.8485 - E-mail: [email protected]

Enéas Alcântara
– Guia turístico – Contato: (75) 9997.7772 – E-mail: [email protected]

Milhões de beijos iluminados,

Mariomar Teixeira - Numeróloga & Consultora: de Feng Shui, de 4 Pilares e de Zi Wei Dou Shu. Contatos: (81) 99807.4568 - Tim e WhatsApp / (81) 99100.9617 (Claro) – E-mail: [email protected].

Perfil

Mariomar Teixeira é formada em Secretariado na UFPE com mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local na UFRPE. Filha, esposa e mãe. Ama ler, estudar, tricotar e cozinhar. Dedica-se aos estudos de metafísica desde 1980, principalmente Numerologia. Em 1993, além de assumir um concurso público federal, também o trabalho como numeróloga é reconhecido. Colunista da Folha de Pernambuco de 1998 a 2005, coluna Numerologia. No mesmo período foi colunista da Revista Club com as colunas: Holística e Lançamento de livros. Professora e Consultora de Feng Shui desde 1997.

* A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

Veja também

Roberto Carlos faz 80 anos e diz ser o mesmo cara de sua juventude
Aniversário

Roberto Carlos faz 80 anos e diz ser o mesmo cara de sua juventude

Camilla vence prova do Anjo do "BBB 21" e dá Monstro para Arthur, Caio e Gil
BBB 21

Camilla vence prova do Anjo do "BBB 21" e dá Monstro para Arthur, Caio e Gil