Costura artesanal do cinema para a TV

Série “Fim do Mundo”, feita pela Rec Produtores, estreia neste sábado no Canal Brasil, com equipe de pernambucanos

Mendonça Filho e seu filho caçula, ViníciusMendonça Filho e seu filho caçula, Vinícius - Foto: Reprodução/Facebook

 

Um movimento cada vez mais frequente no audiovisual mundial é ver roteiristas, cineastas e atores em projetos ousados e originais para a televisão, o que gerou um crescimento significativo tanto na qualidade quanto na percepção geral sobre o potencial dos seriados. Pernambuco também participa desse processo: o roteirista Hilton Lacerda e o diretor Lírio Ferreira apresentam “Fim do mundo”, série de cinco capítulos que começa a ser exibida neste sábado (19), às 21h, no Canal Brasil.
O projeto, produzido por João Vieira Jr. e Nara Aragão, da Rec Produtores, conta com Hermila Guedes e Jesuíta Barbosa nos papéis principais. Ela interpreta Vitória, mulher que na adolescência adquire má reputação na pequena cidade onde nasceu, Desterro.

Anos depois ela precisa voltar, tentando uma espécie de recomeço, ao lado do filho, Cristiano (Jesuíta Barbosa). Outros personagens importantes são Balbino (Alberto Pires), irmão de Vitória; sua esposa, a jovem Joaninha (Larissa Leão); e sua sogra, Mazé (Marcélia Cartaxo).

A série, gravada em Triunfo no fim do ano passado, aborda uma complexa relação familiar, baseada em traumas passados e feridas que ainda não cicatrizaram. Cada capítulo foi inspirado em contos de autores nordestinos - depois foram adaptados por Hilton. O primeiro episódio, “Mentira de Amor”, é baseado em conto de Ronaldo Correia de Brito; o segundo, “O Mateus”, é adaptado de texto de Hermilo Borba Filho; “O Dia em que Céu Casou”, de Antônio Carlos Viana; “O Cantor e Sua Solidão”, de Sidney Rocha; e “Epílogo”, do próprio Hilton Lacerda.

“Hiltinho [Lacerda] e João Jr., da Rec Produtores, tinham a ideia da série. Eles me chamaram para uma personagem menor, porque sabiam que eu estava recém-parida de um bebê de dois meses. Quando fui à primeira reunião eles me confessaram que queriam que eu interpretasse a personagem Vitória, queriam saber da minha disponibilidade. Eu teria que ficar um tempo fora do Recife, em Triunfo. Fiquei tentada, queria muito trabalhar com Hiltinho. A Rec fez com que ficasse confortável para eu que pudesse levar toda a minha família”, lembra Hermila.

O retorno a um projeto de maior alcance e ambição foi uma das motivações de Hermila. “Fora a possibilidade do retorno, já eu que estava um tempo sem fazer nada que tivesse cara de cinema, uns dois anos longe de um trabalho com ritmo de cinema. Além dessa vontade de retornar, teve a possibilidade de trabalhar com Jesuíta, esse menino que eu já sabia que tinha um potencial incrível”, diz a atriz, que se sentiu atraída ainda pela “história da personagem, o trabalho em uma linguagem diferente, a série, e os contos de autores do Nordeste”.

O projeto sinaliza uma possibilidade que deve gradualmente ser mais explorada por profissionais do cinema nacional. “Acho que é muito bom ter esse espaço em canais que tragam novos profissionais, esses novos olhares de cineastas para um tipo de público que talvez não vá ao cinema”, sugere Hermila. “Foi minha primeira experiência fazendo uma série com profissionais de cinema. Trabalhamos no ritmo da televisão, mas com toda a tentativa de construção de personagens e atmosfera cinematográfica. Todo aquele processo artesanal de costura, mas com o pouco tempo da TV”, ressalta.

 

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