Covers: tudo em nome do ídolo

Poderiam ser anônimas, mas, à noite, pessoas tidas como comuns transformam-se em celebridades e conquistam público

Além das orientações, as mulheres atendidas nessas comunidades vão contar com rodas de diálogoAlém das orientações, as mulheres atendidas nessas comunidades vão contar com rodas de diálogo - Foto: Divulgação

Luiz Tarcísio tem 75 anos, Milton Nóbrega tem 39. Os dois são pernambucanos e, de dia, levam suas vidas de maneira até pacata, atarefados com trabalhos e família. À noite, no entanto, quando sobem ao palco, os dois se transformam e entram em um mundo de música e sucessos. Os dois são cantores covers, e levam a vida artística representando seus ídolos. Luiz incorpora Waldick Soriano, enquanto Milton encarna a persona de Elvis Presley, com direito a óculos, anéis e até figurino.

A paixão pelos ícones, para ambos, veio na infância. “Em casa, era proibido não ouvir Waldick. Meu pai que ouvia direto, mais até que Roberto Carlos”, relembra Luiz Tarcísio.

Já Milton uniu o útil ao agradável: “Minha família sempre foi do rock. Eu tive banda de metal na adolescência, mas não tinha muito retorno, decidi ir para o pop rock. Comecei a cantar Elvis com os amigos, até que fui vendo que meu timbre vocal era parecido com o dele e fui investindo nisso, fiz aulas de canto. Aí quando você passa a estudar o cara, conhecer ele a fundo, não tem como não se envolver”, afirma.

Além de se apresentar ao menos três vezes por semana com sua banda, a Mr. Elvis, Milton ainda ostenta impressionante coleção de discos e memorabilia do Rei do Rock. Dentre os materiais mais raros, estão coleção de bonecos do cantor, além de todos os discos, tanto em vinil como em CD, e anéis, réplica do microfone favorito de Elvis, trajes usados nos anos 1970, colares e óculos. “Já rodei o País inteiro com a banda, mas o sonho é tocar em Memphis”, cita Milton, referenciando a cidade americana onde está localizado o rancho Graceland, mansão e museu de Elvis.

Luiz Tarcísio não é menos inspirado. “É uma loucura. Quando estou cantando, você olha para a plateia e vê mulheres chorando, homens chorando... A música de Waldick tem esse romantismo. Fala de amor, fala de traição, isso toca todo mundo...”, afirma.

O comissário de polícia aposentado opina, no entanto, que a situação para cantores covers, ao menos no Recife, não é fácil, com um cachê de cerca de R$ 3 mil, a ser dividido entre uma banda inteira. “Estamos lutando junto à Prefeitura para tentar aumentar para R$ 8 mil”, diz.

Tanto Luiz Tarcísio como Milton Nóbrega possuem o distanciamento necessário entre as próprias personalidades e as personas dos ídolos.

Mas é preciso ter atenção a casos em que a relação entre cover e ídolo chega a um nível patológico, como explica o psicólogo, pesquisador e historiador Liszt Rangel. “A tendência natural do ser humano é ter alguém em quem se espelhar, mas com o tempo, nós vamos formando a nossa própria identidade.

A partir do momento em que o indivíduo decide assumir totalmente a vida do ídolo, pode indicar um problema de segurança e autoconfiança. Ou seja, em vez de tentar se afirmar por mérito ou talento próprio, decide dar continuidade ao trabalho daquela pessoa, e termina por assumir atitudes que não teria em uma situação normal”.

Réplicas e material raro
Além de encarnar o Rei do Rock nas noites recifenses, com direito a jumpsuit, óculos e microfone temático, Milton Nóbrega é dono de impressionante coleção de memorabilia de Elvis. Seu apartamento, comporta, pelo menos, três estantes inteiramente dedicadas a discos. Entre nomes do rock e metal, um nome mais se destaca: Elvis Presley.

Entre lançamentos oficiais, tanto em CD como em vinil, Milton destaca o mais precioso: um box com réplicas dos primeiros compactos do cantor, gravados no início dos anos 1950. “A maioria comprei pela internet, dá um certo trabalho e exige tempo para procurar. Também não vou negar que alguns itens se tornam caros”, explica o cantor.
Além dos discos, Milton também exibe com orgulho a coleção de adereços que usa no palco, como anéis, colares e pulseiras, todas licenciadas pela indústria de Elvis. Há até uma réplica perfeita do microfone vintage favorito de Elvis.

A paixão, inclusive, é passada de pai para filho: “Meu pequeno foi criado ouvindo Elvis. E ele gosta, canta as músicas, tem até uma roupa”. Em todo mês de janeiro, quando há o aniversário do ídolo, Milton e banda se reúnem para celebrar a data com shows, provando que, de fato, quem é Rei nunca perde a majestade.

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