Criações e histórias da grife Trocando em Miúdos são registradas em livro

Obra “Colecionando o Tempo” traz a identidade e as recordações da grife, que se confundem com a da dupla de criadoras

Assembleia extraordinária da AmupeAssembleia extraordinária da Amupe - Foto: Ulysses Gadêlha/Folha de Pernambuco

 

Tudo começou com um botão, que se juntou com outros, enfileirando-se até dar uma volta no pescoço. Nascido para ser um atacador, o botão trocou de função e virou material para um colar, o primeiro da grife de bijuterias recifense Trocando em Miúdos, cuja característica criativa sempre foi a ressignificação, tanto do objeto quanto da memória afetiva.

Em 2016, para comemorar dez anos não somente de sucesso criativo, mas também comercial e emotivo, a marca lança livro biográfico e festa no Barchef, das 18h às 21h.

A obra “Colecionando o Tempo” traz a identidade e as recordações da grife, que se confundem com a da dupla de criadoras - Juliane Miranda e Amanda Braga -, e fazem menção ao momento político atual. “Preservar a memória é uma forma de resistência. Assim como um livro feito de papel. Somos designers e valorizamos isso”, atesta Juliane.

A busca pelas lembranças materializada em bijus foi justamente o que conquistou a afinidade das clientes. De tão próximas, muitas se tornaram amigas, por vezes parceiras, dando dicas e ideias e emprestando a própria imagem para se tornarem modelos da vida real das campanhas de lançamento das coleções. Tal como os botões - matéria-prima que trazia recordações afetivas às meninas - as pérolas, que se juntaram a flores de tecido e contas de metal, receberam toques de contemporaneidade quando acrescidas de correntes de metal. O colar “Chocalho”, um cachinho com várias pérolas, virou um clássico da marca. Nas pesquisas de materiais, chegaram às lâminas de paetês e criaram outro clássico da marca logo identificado: o brinco “Leque”. Algumas peças, inclusive, aparecem no filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. O acrílico também deu a renovada necessária ao design retrô em várias coleções, e foi protagonista de muitas delas, pela versatilidade.

O livro que estará à venda no evento de amanhã custa R$ 100 e é uma edição luxuosa, cuidadosa e ilustrada, assinada pela jornalista Luciana Veras. A obra também oferece um editorial de moda assinado pela fotógrafa e poeta Adelaide Ivanova, clicado em Berlim, além de um glossário sentimental. Escrito como um diário dos dias mais importantes deste ano comemorativo, a obra não somente conta a origem do nome da grife - título de uma composição de Chico Buarque -, mas também o comecinho do empreendimento, desde os tempos em que as bijus eram vendidas aos colegas de faculdade, até se tornar um negócio de verdade. E os inevitáveis percalços pelo meio do caminho, com direito a depoimentos dos pais e de amigos mais próximos, que deram força às então jovens estudantes - Amanda tinha 20 anos e Juliane, 18, quando se conheceram.

Primeiro vieram os bazares, quando a dupla ainda ficava discutindo o preço que deveria colocar nas peças, pois não tinha a menor ideia dos custos, já que eram elas mesmas que produziam e criavam. Não havia nem máquina de cartão de crédito e conseguir troco era um tanto complicado. O ano era 2006, e a primeira coleção, ‘’Mulheres”, faturou R$ 700. Dez anos depois, o apurado chegou a 15 vezes mais. No ateliê situado na charmosa Casa Rosa, no Parnamirim, um acervo de pérolas, bolas acrílicas, peças metálicas, bases de brinco, paetês e contas capazes de gerar mais de três mil peças por mês, vendidas em dois pontos diferentes.

Para Juliane, as dificuldades foram vencidas com amor e estudo. “Gostamos muito do que fazemos e de estudar. Aprendemos a ter inteligência emocional, assumir riscos e ter positividade quando embarcamos em um projeto. No caso do livro, por exemplo, faz um ano que trabalhamos nele. Nossa primeira entrevista ocorreu em outubro de 2015”, recorda a designer. O futuro? “Uma loja na Zona Sul e mais investimentos no e-commerce”, adianta.

 

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