Crítica: '50 São os Novos 30' é uma comédia romântica trivial

Francês '50 São os Novos 30' é o novo filme de Valérie Lemercier, famosa comediante francesa que atua como a protagonista e também assina a direção

Cena do filme '50 São os Novos 30', de Valérie LemercierCena do filme '50 São os Novos 30', de Valérie Lemercier - Foto: Divulgação

Na tradição das comédias populares francesas, "50 São os Novos 30" não traz nada de novo. Fala dos problemas de adaptação de uma mulher de 50 anos cujo marido a trocou por uma jovem de 32.

Essa mulher, que atende por Marie-Francine, é Valérie Lemercier, famosa comediante francesa que também assina a direção do filme (seu quinto longa) e o roteiro - a quatro mãos, com Sabine Haudepin. O marido pulador de cerca, Emmanuel Doublet, é interpretado por Denis Podalydès, ator de múltiplos registros.

A revelação se dá logo nos primeiros minutos, e provoca um verdadeiro furacão na vida de Marie-Francine. Ela perde o emprego, a casa e é obrigada a morar com o pai mal-humorado e a mãe que a trata como uma criança.

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Para completar, as filhas do casal parecem respeitar mais o pai e sua nova namorada do que a mãe, e são insensíveis à dor causada pela separação.

Esses ingredientes seriam passáveis, caso não aparecessem na narrativa de maneira um tanto pobre, com tempo de esquete cômico de TV e diálogos rasos. É muito pouco para quem estreou na direção com o surpreendente "Quadrille" (1997), remake do clássico de Sacha Guitry.

Aqui, nos melhores momentos, Lemercier segue os trilhos de Jerry Lewis, como fica evidente nas cenas em que ela tenta vender algo na loja que os pais montaram para ela.

Os clientes parecem estar sempre à beira de dizer algum impropério. Ou têm caprichos inenarráveis. Um deles é Miguel (Patrick Timsit), cozinheiro de um restaurante na vizinhança. De algum modo, houve uma potente interação entre os dois. Mas parte do carisma da atriz Lemercier está na demora de sua personagem em se dar conta disso. Ela simplesmente não se aceita como mulher desejável.

Como dito anteriormente, nada de novo no front, e clichês à beça (tem até a cena do falso beijo espiado à distância). Mas algumas coisas chamam a atenção para uma tentativa, quase sempre bem encaixada, de adaptação aos novos tempos.

   Música de Portugal

A ex-namorada de Miguel, por exemplo, vai se casar com outra mulher, e isso é naturalizado, felizmente. A música de Portugal (país de Miguel) embala o filme em vários momentos, como um registro do boom turístico que o país ibérico atravessa.

Finalmente, a moda dos cigarros eletrônicos é representada: é justamente esse o produto que Marie-Francine tenta vender em sua loja. A se lamentar o estilo frouxo (ou o não estilo), com cortes desleixados e a câmera em qualquer lugar.

Pior ainda que algumas situações no terço final sejam completamente ilógicas. Tudo isso faz com que "50 São os Novos 30" seja apenas mais uma comédia romântica trivial, apesar do talento de Lemercier como atriz.

Cotação: Regular


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