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[Crítica] Arlequina centraliza as atenções em 'Aves de Rapina'

Novo filme da anti-heroína interpretada por Margot Robbie peca ao não explorar bem as demais personagens do grupo

"Aves de Rapina""Aves de Rapina" - Foto: Divulgação

Durante um bom tempo o potencial das personagens femininas foi subestimado nos filmes de super-heróis, mas isso vem mudando gradativamente. Antes relegadas a papéis de ajudantes ou interesses amorosos dos protagonistas masculinos, as mulheres agora são donas de suas próprias histórias. Após colherem os frutos de "Mulher-Maravilha" (2017), sucesso de bilheteria e crítica, a DC e a Warner Bros. apostam novamente no "girl power" ao levar às telas o longa-metragem "Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa".

O filme chega às salas de cinema impulsionado por um discurso de empoderamento feminino que vem reformulando a indústria do entretenimento. A escolha de uma cineasta mulher - a chinesa radicada nos Estados Unidos Cathy Yan - para a função de diretora não só amplia o sentido da participação feminina no longa, mas também evita algumas representações machistas recorrentes do gênero. É visível o esforço da produção em fugir de qualquer tipo de sexualização ou objetificação das personagens. Nada de roupas reveladoras ou closes inapropriados, elementos abundantes em "Esquadrão Suicida" (2016), uma espécie de predecessor do novo título.

Baseado em um grupo dos quadrinhos, "Aves de Rapina" traz Margot Robbie - que também assina como produtora do longa - de volta ao papel da insana Arlequina. Na trama, a bandida se junta a Canário Negro (Jurnee Smollett), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) e a policial Renée Montoya (Rosie Perez) para livrar uma garotinha das garras de um dos mais perigosos criminosos de Gotham City, mas é sob a tresloucada palhaça assassina que os holofotes estão na maior parte do tempo. Como sugere o subtítulo do filme, o fio condutor da trama é a jornada de transformações pessoais da anti-heroína, que precisa aprender a ser independente após dar adeus ao relacionamento abusivo com o Coringa.

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Se tirarmos as necessárias bandeiras que o longa-metragem levanta, no entanto, não sobra muita coisa para aplaudir. Recorrendo a inúmeros flashbacks para conseguir costurar as histórias de todas as heroínas, o roteiro é caótico e pouco original. Alguns dos personagens acabam soando caricaturais, principalmente o vilão Máscara Negra, interpretado por Ewan McGregor. Já Canário Negro, Caçadora e Montoya têm suas tramas pessoas subutilizadas, frente ao destaque de Arlequina. Há uma tentativa de seguir na linha do humor, mas as piadas prontas conferem ao filme um ar de artificialidade difícil de engolir.



Mais "girl power" no cinema

As heroínas devem dominar as telas em 2020. Outros filmes inspirados em HQs e protagonizados por mulheres estão na lista de espera das estreias de Hollywood. Em "Mulher-Maravilha 1984", sequência do primeiro longa-metragem da personagem, a atriz Gal Gadot e a diretora Patty Jenkins retomam a parceria anterior. A sinopse oficial ainda não foi divulgada, mas já se sabe que a trama será ambientada nos anos 1980 e a vilã Mulher-Leopardo será interpretada por Kristen Wiig. A estreia mundial está prevista para o dia 4 de junho.

Do lado da Marvel, a aposta é no primeiro filme solo da Viúva Negra, após anos de pedidos dos fãs da franquia "Vingadores". A produção, que chega aos cinemas em abril, mostra Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) em uma missão que envolve sua família russa e revela detalhes sobre o seu passado. A direção fica por conta de Cate Shortland. Em novembro, o mesmo estúdio apresenta ao público "Os Eternos". Entre os protagonistas, estão as atrizes Angelina Jolie, Salma Hayek e Gemma Chan. A direção é da cineasta chinesa Chloé Zhao e a estreia está agendada para novembro.

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