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Crítica: 'Buscando...' é um empolgante filme de suspense

Filme, que entra em cartaz nesta quinta-feira (20), narra história de desaparecimento de uma adolescente. O pai a procura investigando suas redes sociais

Cena do filme 'Buscando...'Cena do filme 'Buscando...' - Foto: Sony Pictures/Divulgação

Há muitos méritos em "Buscando...", filme que estreia nesta quinta-feira (20) no circuito nacional, de sua história de suspense que prende o espectador, pela forma como é contada e por sua pulsão trágica, até a maneira como há uma inteligente aproximação da geração que hoje possui entre 30 e 45 anos das redes sociais, como forma de cuidar dos filhos. Não é um tema novo - há um bom exemplo nacional, o recente "Ferrugem" -, mas a fluidez e o impacto emocional dessa narrativa são características especiais desta estreia.

Os primeiros minutos do filme se assemelham ao começo da animação "Up - Altas Aventuras" (2009), na maneira como apresenta os personagens através de alta voltagem emocional, narrando com beleza e simplicidade momentos fundamentais de um núcleo familiar. Conhecemos a família Kim, composta por David (John Cho), Pamela (Sara Sohn) e a pequena Margot (interpretada por quatro atrizes diferentes, aos 5, 7, 9 e finalmente 16 anos, por Michelle La).

A forma como eles são apresentados indica a estrutura do filme e certa medida de criatividade: cada um cria um login no laptop compartilhado pela família, usando a ferramenta para fazer seus projetos. Essas cenas, assim como todo o filme, são narradas por câmeras que fazem parte da história: do laptop, de celulares, câmeras de segurança. O que pode inicialmente parecer um certo exercício de virtuosismo, uma maneira de colocar a técnica acima da emoção, aos poucos se mostra uma interessante forma de refletir sobre os aparelhos que fazem a mediação no cotidiano: registramos tudo mas raramente enxergamos de verdade.

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Esse é um ponto central do enredo. A certa altura, Margot diz que vai passar a noite na casa de amigos, estudando biologia. O pai vai dormir tranquilo e não desperta mesmo quando ela liga duas vezes, perto da 0h. Quando acorda, na manhã seguinte, percebe que ela não está em casa; quando, nos próximos dias, todas suas teorias sobre onde a menina estaria se esgotam, entra o desespero: Margot desapareceu. Além de chamar a polícia, através da detetive Vick (Debra Messing), David faz suas próprias investigações, acessando o computador de sua filha, pesquisando suas redes sociais e seus hábitos on-line.

É talvez um ponto sensível neste filme, que o conecta de forma fundamental ao período atual: a maneira como a internet, com possibilidades infinitas, pode gerar também situações de risco. As entrelinhas sugerem que essa família, assim como tantas outras, não se conhece, mesmo morando no mesmo lugar, mesmo conectados através da tecnologia. Não é um tema particularmente original, mas sua importância atual, com gerações crescendo sob influência completa das redes sociais, e a maneira como o diretor, Aneesh Chaganty, em seu primeiro longa-metragem, aplica esse argumento a uma estratégia narrativa empolgante, transformam "Buscando..." em um cativante thriller.

Cotação: ótimo


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