Crítica: 'Do jeito que elas querem' traz redescoberta sexual na terceira idade

No filme, o quarteto de amigas lê o erótico "Cinquenta Tons de Cinza" e começa a explorar suas vidas sexuais com leveza e bom humor

Cena do filme 'Do jeito que elas querem'Cena do filme 'Do jeito que elas querem' - Foto: Paris Filmes/Divulgação

Lanço um desafio: quantos filmes você já viu em que uma mulher mais velha é tratada como um ser sexual? Em compensação, em quantos filmes um homem mais velho fala abertamente de sexo e se relaciona com mulheres mais novas? Não é preciso uma grande reflexão para entender que o resultado é discrepante.

Afinal, a carreira de uma atriz hollywoodiana parece estar condenada a estancar aos 40 anos. Depois disso, como muitas já relataram e denunciaram, elas começam a ser vistas como “muito velhas” para quaisquer papéis que desejem interpretar, sendo estes sempre dados a mulheres mais novas.

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Nesse sentido, "Do jeito que elas querem" desafia as regras. Na verdade, muitas delas: traz quatro protagonistas mulheres, todas muito bem sucedidas no que fazem, com uma fiel amizade entre si. A principal regra quebrada, contudo, foi o que prendeu o filme tanto tempo no papel: a faixa etária de suas protagonistas.

Entre 65 e 80 anos, o elenco de peso (todas vencedoras e/ou indicadas a Oscars) se formou com Jane Fonda, Diane Keaton, Candice Bergen e Mary Steenburgen, que interpretam Vivian, Diane, Sharon e Carol, respectivamente. O quarteto forma um Clube do Livro que, de repente, se vê lendo “Cinquenta Tons de Cinza”, da autora E. L. James.

Aqui, a trilogia literária erótica é utilizada como meio das amigas perceberem a estagnação de suas vidas amorosas e sexuais, as quais elas julgam como extintas por causa de suas idades. É através dos livros que Diane, Sharon, Vivian e Carol se reabrem para o mundo, se colocando à disposição de novas aventuras amorosas. Afinal, como elas mesmas percebem, ainda há muito para viver.



   Elenco de peso

Leve, engraçado e divertido, "Do jeito que elas querem" é um respiro necessário em meio a uma indústria afogada em preconceito etário. É um grato bônus que a química entre as atrizes veteranas seja tão frutífera, o que dialoga perfeitamente com o roteiro bem escrito que permite às personagens se desenvolverem de forma interessante e única, além de contar com excelentes sacadas humorísticas. Chega a ser impossível pensar em um elenco melhor para protagonizar o longa.

Além disso, "Do jeito que elas querem" deixa claro: essa é uma narrativa sobre redescoberta pessoal. Não gira em torno de homens ou de relacionamentos — estes são apenas elementos que fazem parte da jornada das protagonistas, que vai muito além. É um filme repleto de risadas gostosas e uma garantia de provocar aquele calorzinho bom no coração.

Cotação: Ótimo

 

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