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Crítica: Filme 'Los Silencios' faz uma viagem entre o onírico e o documental

'Los silencios', filme da diretora Beatriz Seigner, em cartaz nos cinemas, fala sobre a convivência com o luto para os moradores da fronteira entre Colômbia, Peru e o Brasil

Filme "Los Silencios"Filme "Los Silencios" - Foto: Juliana Vasconcelos/Divulgação

Aclamado em vários festivais ao redor do mundo, como o de Cannes, "Los silencios" acaba de entrar em circuito comercial nos cinemas brasileiros, além de França, Suíça e Alemanha. O filme tem vocação internacional, não só por sua repercussão em outros países, mas também pela forma como foi construído. Falado em castelhano, com direção da brasileira Beatriz Seigner, o longa-metragem se passa em uma ilha amazônica na fronteira entre Colômbia, Peru e o Brasil, onde os moradores convivem com seus familiares mortos.

"Metade da equipe é colombiana e a outra é brasileira. A trilha sonora foi feita por um venezuelano e a captação de som por um cubano. Há toda uma composição latino-americana na equipe. Além disso, a maioria das chefes de equipes são mulheres", conta a diretora e roteirista, cujo primeiro longa foi uma coprodução Índia-Brasil, "Bollywood Dream" (2010). "Los silencios", seu segundo filme, foi premiado em festivais na Suécia, na Índia, no Peru, na Espanha, em Cuba e na França.

A trama acompanha Amparo, interpretada pela atriz colombiana Marleyda Soto. Ao lado dos dois filhos, ela chega a uma ilha, fugindo do conflito armado colombiano. Neste novo lugar, povoado por fantasmas, a família reencontra o pai desaparecido. Além de Marleyda, o único ator profissional no elenco é o brasileiro Enrique Diaz, que faz o papel do marido. Os outros personagens são vividos por pessoas que Beatriz conheceu durante a construção do roteiro.

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"Foi um processo de sete anos, entre pesquisa e estruturação, no qual o roteiro mudou muitas vezes. A última versão eu fiz depois que encontrei a 'ilha da fantasia' e reescrevi tudo para ter os moradores de lá fazendo eles mesmos", explica. Em uma das cenas mais cheias de emoção do filme, a cineasta convocou uma "assembleia fantasma" para discutir o acordo de paz com os guerrilheiros colombianos. "Essa é, ao mesmo tempo, nossa cena mais fantástica e também a mais documental, porque as pessoas presentes realmente viveram o conflito. Temos ex-guerrilheiro das Farc, ex-paramilitar, gente de todos os lados falando sobre o que eles passaram", aponta.

Realidade desconhecida

Para Beatriz, o Brasil desconhece a realidade dos seus países vizinhos. "De certa maneira, o brasileiro não se sente latino-americano, o que é uma coisa muito louca. Gostaria muito que fosse feita uma aproximação. Quando escuto os colombianos falando sobre o conflito, reconheço as mesmas histórias do Brasil, nessa guerra contra as drogas e na atuação da milícia armada, por exemplo. Vivemos processos muito parecidos de descolonização, ciclos de violência e apropriação das nossas riquezas naturais. Realmente, temos muito em comum", defende.

Cotação - Ótimo

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