Crítica: Grande missão de 'Aquaman' é ressuscitar a DC no cinema

Com Jason Momoa no papel principal, 'Aquaman' supera as piadas sobre o personagem e aponta um novo caminho para os filmes do universo DC Comics

Aquaman é interpretado por Jason Momoa Aquaman é interpretado por Jason Momoa  - Foto: Divulgação

A reputação do Aquaman nunca foi das melhores. Ao longo dos anos, a habilidade de falar com peixes foi um prato cheio para as piadas no meio nerd, reforçando a fama de herói secundário. Com o primeiro filme solo do Rei dos Mares, protagonizado por Jason Momoa, isso está prestes a mudar. O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (13), no Brasil, promete melhorar a imagem do personagem e, de quebra, dar alguma esperança sobre o futuro da DC Comics - empresa norte-americana de quadrinhos - nas telas.

Na busca por estabelecer um universo cinematográfico, a principal rival da Marvel vem cometendo uma sucessão de erros. Excetuando-se "Mulher-Maravilha", todos os filmes anteriores da empresa decepcionaram. Em "Aquaman", no entanto, a DC parece ter encontrado um caminho para seguir com mais dignidade. O diretor James Wan entrega uma aventura leve, colorida, com ação desenfreada, efeitos visuais que impressionam e cheia de referências da cultura pop. Não há de inovador, mas a fórmula é executada com excelência.

A trama nos leva às origens do herói aquático. Arthur Curry é filho de um humano com Atlanna (Nicole Kidman), rainha do reino submarino Atlântida, e cresce na superfície. Para evitar que ocorra uma guerra entre os dois mundos, ele sai em busca de uma arma mítica capaz de controlar os sete mares e ajudá-lo a destronar seu meio-irmão Orm (Patrick Wilson). O roteiro consistente, além da direção de arte estonteante, ajuda a fazer desse universo povoado por criaturas marinhas um lugar interessante e com potencial para ser ainda mais explorado em possíveis sequências.

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Tornar a figura do Aquaman atrativa para os espectadores também é mérito de Jason Momoa. Conhecido como Khal Drogo, da série Game of Thrones, o ator havaiano foi a escolha perfeita para viver o personagem. Seu carisma e visual dá ao atlante uma aparência menos "engomadinha', que condiz com sua personalidade "pavio curto". Ao mesmo tempo, a produção não desmerece as origens de seu protagonista, que surge com seu uniforme original numa das cenas mais hipnotizantes do filme.



O que não engrenou, entretanto, foi a relação entre Arthur e Mera (Amber Heard). Se como parceiros de batalha os dois parecem afinados, como casal a química simplesmente não aconteceu. Um detalhe pouco relevante, se levarmos em conta a força que a princesa tem por si própria, assim como Nicole Kidman, que toma conta da tela numa cena de luta eletrizante. Outro destaque do elenco é Willem Dafoe, que empresta sua experiência para interpretar o conselheiro Vulko.

No quesito vilão, o papel de Patrick Wilson deixa a desejar. Pouco aproveitado neste filme, o Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II) se mostra um inimigo mais fascinante e com motivos reais - que chegam a ser compreensíveis - para odiar o herói. A cena pós-créditos dão a pista de que, no futuro, ele poderá ter mais destaque numa continuação da franquia.

Cotação:
Bom

Em breve:

"Era uma vez um Deadpool"

A Fox leva aos cinemas, no dia 27 de dezembro, uma versão de "Deadpool 2" para menores. Como parte de uma campanha contra o câncer encabeçada pelo ator Ryan Reynolds, o mercenário tagarela da Marvel surge em um conto de Natal, contando sua história para os garotos que não puderam acompanhar a violência e os palavrões da versão original.



"Homem Aranha no Aranhaverso"

Indicada ao Globo de Ouro e forte candidata ao Oscar, a animação reúne diferentes "homens-aranhas" de universos paralelos. No filme, o jovem Miles Morales assume a identidade do Aranha, mas para conseguir derrotar o Rei do Crime precisa da ajuda de outras versões do herói. A estreia no Brasil está prevista para o dia 10 de janeiro.


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