Crítica: HQ 'Samurai Shirô' mistura cultura japonesa e ação

Nova obra do quadrinista Danilo Beyruth, 'Samurai Shirô' traz referências à máfia Yakuza, aos samurais e ao cotidiano em São Paulo

Cena do quadrinho 'Samurai Shirô', de Danilo BeyruthCena do quadrinho 'Samurai Shirô', de Danilo Beyruth - Foto: Divulgação

É na combinação entre cultura japonesa, com referências à máfia Yakuza e aos samurais, e ação empolgante, com lutas de espada e perseguições nas ruas de São Paulo e Osaka, que "Samurai Shirô" se transforma em uma boa leitura. A história em quadrinhos, assinada por Danilo Beyruth, faz dessa mistura de referências um interessante conto sobre a busca por identidade, a maneira como os caminhos de afirmação pessoal são turvos e às vezes surpreendentes.

"Queria uma história que não fosse tradicional, uma história não tão arraigada na realidade, mas maior", diz Danilo. "Tinha essa ideia há muitos anos e queria explorar uma história em torno da colônia japonesa no Brasil. Temos uma gigantesca, a maior fora do Japão. Moro ao lado da Liberdade, um bairro que no momento em que você pisa nota que não está mais em São Paulo. Essa ideia foi cozinhando na minha cabeça por vários anos e finalmente botei isso no papel", comenta.

A história de "Shirô" gira em torno de três personagens: um homem que sai de um coma sem lembranças, apenas em posse de uma espada; um mafioso da Yakuza, que busca uma mulher que fugiu do Japão ainda criança; e Akemi, uma jovem japonesa que mora em São Paulo e lida com a perda do avô. As vidas desses três se cruzam de forma empolgante e criativa. "Não escrevo roteiro no estilo de cinema, de quadrinho tradicional. Monto como se fosse um arqueólogo, que vai descobrindo partes e vai construindo o resto", diz o autor.

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"No meu processo de criação, monto coisas que acho legais na história, tento compor personagens, dar a eles vontades, defeitos. Começo com o esqueleto simples dos três atos, e vou colocando carne, órgãos, ossos", explica Danilo. "'Shirô' tem uma trama complicada entre três personagens principais. Tinha sempre que lembrar o que cada personagem sabe em determinado momento da história. É algo mais complexo do que estou acostumado a fazer. Depois, esses personagens navegam nesse labirinto", sugere.

Entre as referências de Danilo Beyruth estão obras fundamentais como a HQ "Lobo Solitário", de Kazuo Koike e Goseki Kojima, e filmes de Akira Kurosawa. "Adoro 'Lobo Solitário'. Acho que 'Lobo' é a melhor tradução do cinema de Kurosawa, seus filmes de samurais, 'Sanjuro', 'Os sete samurais', 'Trono manchado de sangue'. O que Kurosawa fez no cinema das décadas de 1960 e 1970 me influenciou bastante. Além dos filmes do Takeshi Kitano, 'Brother', 'Outrage', e os filmes de Yakuza mais antigos. E até mesmo os quadrinhos do Frank Miller", detalha.

   Sequência

Ao fim da leitura, fica a impressão de novas histórias que podem ser desenvolvidas com esses personagens. "A intenção é fazer o segundo álbum", avisa Danilo. "Estou com um projeto do Demolidor, para a Marvel, mas a intenção é depois começar a trabalhar na continuação dessa história. Deixo portas abertas em meus trabalhos, pode ter continuação também de 'Necronauta'. Acho que minha ambição é não fazer com que a história se feche completamente", ressalta.

Serviço

"Samurai Shirô", de Danilo Beyruth
Editora Darkside, 192 páginas
Preço médio: R$ 59,90

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