Crítica: 'It: Capítulo 2' tem menos sustos e mais computação gráfica

Sequência do remake de 'It: A coisa', lançado em 2017, mostra os protagonistas adultos e novamente assombrados pelo palhaço Pennywise

Pennywise reaparece em Derry para assombrar o Clube dos OtáriosPennywise reaparece em Derry para assombrar o Clube dos Otários - Foto: Warner Bros/Divulgação

Os personagens do escritor Stephen King costumam despertar um estranho fascínio no público, a despeito - ou justamente por isso - de causarem tanto medo. Assim sendo, não é estranha a grande expectativa em torno da volta de Pennywise em "It: Capítulo 2". O longa-metragem chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (5), apoiado no sucesso de seu antecessor, que alcançou o posto de filme de terror de maior bilheteria da história, arrecadando US$ 700,4 milhões mundialmente.

A história do novo filme ocorre 27 anos após o Clube dos Otários derrotar o demoníaco palhaço. Agora adultos, os sete protagonistas seguiram caminhos diferentes e não se encontram há muito tempo. Quando o aterrorizante inimigo reaparece na cidade de Derry, o grupo é convocado para honrar uma promessa de infância e colocar um fim definitivo no problema. De volta ao lar, eles precisam lidar com os traumas do passado para conseguirem completar a missão.

Uma boa notícia para os fãs é que a sequência consegue vencer um dos seus principais desafios: escolher um elenco adulto que faça jus ao carisma dos atores mirins do primeiro filme. Destaque para Bill Hader, que toma para si todas as atenções quando está em cena, entregando um Richie engraçado e complexo. James McAvoy como Bill, Jessica Chastain no papel de Beverly, Jack Ryan como Ben, James Ransone na pele de Eddie e Andy Bean interpretando Stanley completam a escalação. Bill Skarsgard retoma o papel do vilão, completando sua construção perfeitamente pavorosa.

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Com roteiro assinado por Gary Dauberman, o longa começa de maneira instigante, com um ataque homofóbico seguido de algo ainda mais violento. No entanto, a trama começa a se arrastar a partir da metade. Focado em evidenciar os dramas pessoais de cada um dos heróis, entrelaçando o presente com flashbacks, o segundo ato acaba parecendo repetitivo e muito extenso. Já mais próximo de sua conclusão, o filme recupera o ritmo, mas ficam muitas pontas soltas no enredo, sobretudo no que diz respeito às explicações sobre a origem de Pennywise.



Ficou claro o quando a Warner Bros aposta nessa nova produção. Para o segundo capítulo, o estúdio norte-americano investiu cerca de US$ 70 milhões, o dobro do primeiro longa, lançado em 2017. O upgrade no orçamento faz toda a diferença, tanto para o bem quanto para o mal. Se por um lado o diretor apresenta uma obra plasticamente mais bela do que a anterior, o excesso de computação gráfica apaga o realismo e elimina o efeito amedrontador de muitas cenas.

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