Cultura+

[Crítica] Minha Mãe É Uma Peça 3: roteiro entrega 'mais do mesmo'

Longa estreia nesta quinta (26), nos cinemas de todo o País

'Minha Mãe é uma Peça 3' estreia nesta quinta-feira (26)'Minha Mãe é uma Peça 3' estreia nesta quinta-feira (26) - Foto: Divulgação

Não raras são as vezes em que sequências no cinema se tornam desgastantes e perdem a graça. Fugir de obviedades e piadas prontas é tarefa árdua para um sem número de produções, e o cinema nacional não foge à regra em "Minha Mãe é uma Peça 3", com estreia marcada para esta quinta-feira em todo o Brasil.

É bem verdade que o longa, dirigido por Susana Garcia, ainda garante boas risadas (embora poucas), arrancadas da como sempre desvairada Dona Hermínia, personagem vivida por seu criador, o humorista Paulo Gustavo, fiel às tiradas dos dois primeiros filmes da franquia (2013 e 2016).

Certamente o público deverá lotar salas e o filme pode até tomar a frente de bilheterias, mas a terceira parte da saga da mãe de Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier) traz o mais do mesmo em um roteiro que não esboçou empenho em apresentar boas novas, talvez pela pretensão do sucesso dos anteriores e/ou dos trejeitos, caras e bocas de um dos nomes de peso do humor brasileiro, que não deixam a desejar.





Leia também:
Brasil cria instituto para fazer parcerias culturais com o exterior
Alceu Valença ganha exposição em São Paulo


Hermínia, como dito, faz rir, mas as facetas da mãe controladora, preocupada e que se acha abandonada pelos próprios filhos, cada vez mais independentes, são as mesmas de sempre, atestadas em cenas como a de Marcelina com o anúncio da gravidez ou quando Juliano avisa que vai casar com o primeiro namorado. Este último fato, aliás, como relação homoafetiva bem resolvida, é bem desenhado no decorrer da trama, que no contexto de familia feliz traz Thales Bretas, marido de Gustavo, e os gêmeos, filhos do casal, em um encontro despretensioso entre eles em uma rua de Hollywood, para onde a personagem viajou para desopilar do stress.

Ao mesmo tempo em que, embora o enlace do filho com outro homem leve a uma sequência no filme que gira em torno do casamento dos dois: preparativos da festa, local da cerimônia e a velha e boa rivalidade entre sogras, os noivos não ganham destaque no enredo, oportunidade que poderia ter sido mais aproveitada no filme para falar sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo, haja vista o alcance do longa e os tempos sombrios que têm deteriorado, cada vez mais, o tema. Mas os resgates que são feitos ao passado de Dona Hermínia quando, por exemplo, ela ressalta o bulling sofrido por Juliano na escola, em uma festa à fantasia que ele queria ir de Emília ao invés de Visconde de Sabugosa, é um momento interessante pensado para o longa.

Em pouco mais de 100 minutos de narrativa, incluindo as entradas "soltas" de Herson Capri na pele de Carlos Alberto, ex-marido de Hermínia, assim como das irmãs da personagem, vividas por Alexandra Richter e Patrícia Travassos, também pouco exploradas na trama, "Minha Mãe é uma Peça 3" entrega a lógica de uma família cuja mãe é o cerne de tudo e que, dessa vez, precisa aceitar que os filhos cresceram e tomaram seus rumos, criaram suas próprias histórias.

O momento dos créditos finais talvez ensejem motivos de maior empolgação, ora pelas aparições sempre hilárias que Paulo Gustavo faz de sua mãe, Déa Lúcia, a quem ele dedica o longa, ora por mostrar seu pai, Júlio e, principalmente, pelas imagens graciosas da família que ele constituiu ao lado do marido Thales e dos gêmeos Gael e Romeu.

Veja também

Adelmo Arcoverde compila método de ensino da viola nordestina em livro
Música

Adelmo Arcoverde compila método de ensino da viola nordestina em livro

Orquestra Petrobras Sinfônica apresenta Guns N' Roses e Mundo Bita Sinfônico 
Turnê 2022

Orquestra Petrobras apresenta Guns N' Roses e Mundo Bita