Crítica: 'Minha Vida em Marte' é uma sequência sobre a vida amorosa

Em 'Minha Vida em Marte', a atriz Mônica Martelli junta experiência amorosa a um olhar bem-humorado com Paulo Gustavo, que interpreta Aníbal.

Mônica Martelli e Paulo Gustavo em 'Minha Vida em Marte'Mônica Martelli e Paulo Gustavo em 'Minha Vida em Marte' - Foto: Reprodução

"Minha Vida em Marte" é a nova comédia estrelada por Mônica Martelli e Paulo Gustavo, que estreia nesta terça-feira (25). O filme mostra o outro lado do 'felizes para sempre', com a personagem que se casa, se tornou mãe e está com 45 anos. Na história, ela é uma jornalista formada que trabalha como organizadora de festas de casamentos. A proximidade de sua atividade com o ideal romântico dos matrimônios que realiza ajuda a sacudir a rotina dela. O filme acompanha suas reflexões e narrativas sobre as tentativas de salvar o casamento, reservando muitas risadas, aventuras e aprendizados.

Há quatro anos, a dupla fez o público rir com a saga de uma mulher em busca de um amor em "Os Homens São de Marte…E É Pra Lá Que Eu Vou", que trouxe a personagem Fernanda como uma mulher independente na casa dos 30 anos, com uma abordagem divertida e afiada sobre a mulher em busca do amor, os encontros e desencontros desastrosos, o receio da solidão e a chegada do verdadeiro amor de forma despretensiosa e surpreendente.

"Minha Vida em Marte" faz quase um time lapse para o primeiro filme, sob uma perspectiva cômica e sensata, levando para o centro do caos de um casamento que começou como um sonho, mas se torna um pesadelo. Trazendo Marcos Palmeira (Tom), sem o vigor da conquista amorosa do primeiro filme, a sequência vai além do tradicional final de contos de fadas, mostrando com realismo o quão complicada a vida a dois pode ser.

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Com anos de estrada, o casamento entra em crise, levando ao desgaste e a intolerância da rotina. Quando percebe que a relação pode chegar ao fim, Fernanda inicia um plano para reacender a chama com o marido. Ela disposta a manter a sua feminilidade, malhando e encontrando meios de estabelecer sua paz mental e espiritual enquanto lida com os problemas internos e externos, conta com a ajuda do melhor amigo Aníbal, companheiro inseparável de trabalho e vida, pronto para ouvir seus desabafos e trazer uma visão bem realista para a amiga, com diálogos escrachados, sinceros e afiados, que vai fazer o espectador dar boas risadas e manter o sorriso no rosto por quase duas horas.

Quando uma reviravolta bate à porta de Fernanda, o susto é grande e doloroso, mas sua perspectiva muda, assim como seus pensamentos e visão, trazendo uma mulher em processo de renovação, de encontro a novos caminhos, construindo uma nova autoestima e reacendendo o amor próprio, que estava escondido.



Com piadas que não deixam o riso cessar e referências de fácil compreensão, relatando tal problematização de forma afiada mas sem se apoiar em piadas ofensivas, a trama mantém o ritmo acelerado, levando o tempo de maneira imperceptível. À medida que as atrapalhadas dos protagonistas os encurralam em situações das mais constrangedoras, a trama se torna leve e cativante, não exigindo nada mais do que uma boa disposição para se divertir.

O final que poderia ser previsível e quebrar tudo o que foi construído no filme, entrega um desfecho satisfatório e condizente à história. A história é uma boa sequência que retrata ‘o depois do final feliz’ da protagonista, pontua bem os problemas do casamento e os elementos que podem desequilibrar a feminilidade da mulher, tudo isso com uma desenvoltura divertida.

"Minha Vida em Marte" não é tanto sobre o fim, mas sim sobre os novos começos. Com uma breve reflexão sobre o valor das pequenas e valiosas coisas, a comédia não busca trazer respostas definitivas para os altos e baixos do amor, mas leva à audiência uma divertida jornada sobre escolhas e o impacto que elas exercem na vida.

Cotação: bom

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