Crítica: 'O dia depois' fragmenta relação em diferentes tempos

Novo filme do cineasta coreano Sang-soo Hong se destaca pela maneira como aproxima drama e comédia ao falar sobre um personagem em crise. 'O dia depois' é o segundo filme do diretor lançado em 2017- o terceiro tem estreia prevista no Brasil ainda neste mê

Cena do filme 'O dia depois', de Sang-soo HongCena do filme 'O dia depois', de Sang-soo Hong - Foto: Pandora Filmes/Divulgação

Sang-soo Hong lançou três filmes em 2017: "Na praia à noite sozinha" (que estreou em outubro do ano passado no Recife), "A câmera de Claire" (previsto para chegar ao circuito nacional no dia 24 deste mês) e "O dia depois", que está em cartaz no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Derby e Casa Forte). Não parece um ano atípico na carreira do cineasta coreano: Sang-soo mantém uma média impressionante de um a três filmes por ano, desde 2008.

"O dia depois" narra a história de Bongwan (Hae-hyo Kwon), um crítico literário que é dono de uma pequena editora. Areum (Kim Min-Hee) é aspirante a escritora e começa a trabalhar no local; já no primeiro dia é surpreendida pela visita da mulher de Bongwan, que entre tapas e gritos a acusa de ser amante de seu marido. O filme parte de um argumento simples e recorrente, a traição, um homem casado que encontra afeto e prazer em uma colega de trabalho.

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O que torna o filme de Sang-soo interessante é a opção por fragmentar a história em diferentes tempos. As cenas vão e voltam, mostram esse primeiro dia de Areum no trabalho, depois o roteiro pula e apresenta o que se passou depois, sem seguir a ordem cronológica: é o sentimento dos personagens que parece guiar a sequência dos eventos. É uma forma de tornar o enredo mais intrigante e, ao mesmo tempo, enfatizar o que se esconde nos silêncios de cada um, sugerir o que guardam em segredo.

"O dia depois" vem carregado das marcas de estilo recorrentes no cinema de Sang-soo: cenas de longa duração, poucos cortes, movimentos sutis de câmera, personagens que falam em excesso e bebem uma grande quantidade de álcool. É a bebida que conduz a evolução dramática do enredo, guiando as revelações e os sentimentos de natureza ambígua.

   Fascinante

Também como filmes anteriores do diretor coreano, "O dia depois" se atém à palavra com força e fidelidade: é através do diálogo, apresentado via conversas afiadas e cativantes, que o filme se torna gradualmente mais fascinante. A qualidade se deve não apenas a um roteiro preciso, mas principalmente ao trabalho dos atores. Com a longa duração das cenas e a pequena quantidade de cortes, cabe aos atores desenvolver um laço emocional que cative o espectador.

É um cinema que a partir de dramas de corações apaixonados consegue também chegar a uma combinação cativante de humor, ironia e afeto. É um diretor que consegue fazer algo diferente e empolgante mesmo repetindo bases de narrativa e estilo de obras anteriores.

Cotação: bom


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