Crítica: 'Talvez uma história de amor' tem mais drama do que humor

Estreia nesta quinta-feira (14) o filme 'Talvez uma história de amor', que narra o drama de Virgílio (Mateus Solano), um homem que perdeu a memória de um amor

Cena do filme 'Talvez uma história de amor', de Rodrigo BernardoCena do filme 'Talvez uma história de amor', de Rodrigo Bernardo - Foto: Warner Bros./Divulgação

Enquanto no cinema brasileiro o gênero comédia romântica tende mais ao humor, aos equívocos cômicos de corações apaixonados, "Talvez uma história de amor", primeiro longa-metragem de Rodrigo Bernardo, que estreia nesta quinta-feira (14) no circuito nacional, se aproxima mais da ideia do amor enquanto drama existencial - com pequenos instantes de humor.

Virgílio (Mateus Solano) é um publicitário que segue uma rotina rigorosa: acorda às 7h14, faz exercícios, toma café e vai para o trabalho. Tudo em sua vida segue uma ordem absolutamente metódica. Até quando chega em casa e nota um recado em sua secretária eletrônica: uma mulher chamada Clara diz que, apesar de amá-lo, precisa terminar o namoro.

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É o momento de crise de Virgílio, que corre para sua psicóloga (Totia Meireles), avisando que não sabe quem é Clara, que não estava em um relacionamento. Virgílio acredita que está ficando louco: seus amigos ligam para ele dizendo "sinto muito", que achavam que esse relacionamento daria certo, enquanto ele sequer lembra da existência dessa pessoa.

O filme é baseado em um livro homônimo do escritor francês Martin Page. "Eu me autoconvidei para o cargo", brinca Rodrigo.

"Eu produzi o filme. Achei o livro em 2011, fiquei apaixonado pela história. Dois anos depois conheci o escritor. Conversando com ele, perguntei se já tinha sido adaptado, ele disse que não e me deixou fazer. Escrevi o roteiro e logo depois entrei em contato com Mateus Solano. Ele sempre foi minha primeira opção. Eu disse que se ele não quisesse fazer o filme não tinha problema, eu ia guardar o roteiro até ele mudar de ideia", explica.

"A comédia romântica nunca foi uma escolha racional. O primeiro curta que eu fiz falava de relacionamentos. É um tema universal, tem 40 milhões de formas de contar uma história desse gênero", comenta Rodrigo.

"Quando li o livro, antes de qualquer coisa, achei que era uma boa história. A gente brinca que esta é uma comédia romântica romântica. Tem muita comédia romântica que é comédia. O principal tema do filme é o amor, principalmente o que as pessoas podem fazer quando deixam de ter medo", ressalta.

   Intimidade destruída

O que cativa o espectador é entender o drama que gerou essa amnésia no protagonista. É a busca por essa verdade, por entender uma intimidade destruída, que guia o roteiro. Mas a maneira como essa ideia se desenvolve tende para uma série de situações banais.

É uma comédia romântica que aperta mais os botões do romance e do drama, instigando o espectador a mergulhar nos mistérios desse personagem, mas quando a história finalmente se revela, parece faltar uma maior densidade dramática aos personagens e às situações.

Cotação: Regular


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