Deborah Colker detalha montagem de "O cão sem plumas"

Encenação de sotaque local, interpreta o caráter universal do Rio Capibaribe

Sílvio Costa (Avante) recebe apoio de lideranças de 29 municípiosSílvio Costa (Avante) recebe apoio de lideranças de 29 municípios - Foto: Divulgação

“Na paisagem do rio difícil é saber onde começa o rio; onde a lama começa do rio; onde a terra começa da lama; onde o homem, onde a pele começa da lama; onde começa o homem naquele homem”. Esses versos estão contidos no poema “O cão sem plumas”, escrito por João Cabral de Melo Neto na década de 1950.

A obra literária, que eterniza os aspectos geográficos e sociais das paisagens cortadas pelo Capibaribe, será levada aos palcos pela coreógrafa carioca Deborah Colker. Parte do que a artista de 55 anos já produziu junto a sua companhia pode ser visto hoje, a partir das 19h, durante a abertura do Festival uPlanet.

O processo de criação da montagem de “O cão sem plumas” começou a tomar forma há cerca de dois anos. Durante esse período, Deborah fez várias viagens por Pernambuco, sempre acompanhada pelo cineasta pernambucano Claudio Assis.

“Nós somos amigos há muitos anos e eu admiro profundamente o trabalho dele. Claudão já tinha me convidado, há três anos, para desenvolver uma performance no dia do aniversário do rio. Não deu certo, mas quando eu imaginei este projeto, resolvi convidá-lo para trabalharmos juntos pela primeira vez”, relembra a coreógrafa.

O diretor de “Big Jato” (2014) e “Amarelo manga” (2002), entre outros filmes, está acompanhando cada passo que envolve a construção da montagem. As imagens vão compor um documentário sobre o Capibaribe e estarão presentes na encenação. “Ainda não sei como vai ser o formato disso, mas a ideia é unir dança e audiovisual como uma só linguagem”, diz a coreógrafa. No começo de novembro, Deborah desembarcou em Pernambuco com sua companhia.

“Se eu quisesse, com o que já criamos durante os ensaios no Rio de Janeiro, poderíamos estrear a qualquer momento. Porém, acredito que essa vivência dos bailarinos com o rio e os moradores quem vivem ao longo dele é primordial”, defende a diretora. A residência passou pelas cidades de Belo Jardim, Brejo da Madre de Deus, Limoeiro, Nazaré da Mata e Recife, e chega ao fim no próximo sábado, em Itamaracá. “Tem sido uma experiência única de troca de saberes. Fiquei emocionada, muitas vezes, com as cidades e pessoas que conheci”, afirma.

Em estágio avançado de montagem, a encenação deve estrear em 2017. Outro pernambucano que integra a equipe é o músico Jorge du Peixe, vocalista da banda Nação Zumbi, que divide com o carioca Berna Ceppas a composição da trilha sonora, que envolve ainda DJ Dolores, Siba e Lirinha. Embora o sotaque local esteja entranhado no espetáculo, a proposta é que ele fale com o planeta.

“No ano passado, estava com a companhia na Tailândia. Enquanto passeava de barco, só conseguia ver o Capibaribe. Quer dizer: esse rio que o João Cabral descreve não é só daqui. Ele é universal”, aponta.

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