Livro

'Dicionário dos Negacionismos do Brasil' é lançado com verbetes de pesquisadores

Livro editado pela Cepe aborda os efeitos de atitudes coletivas que negam informações em áreas como ciência e história

Puublicação é organizada pelos pesquisadores José Luiz Ratton e José SzwakoPuublicação é organizada pelos pesquisadores José Luiz Ratton e José Szwako - Foto: Divulgação

Um dos assuntos mais discutidos ao longo dos últimos tempos ganha destaque nas páginas do recém-lançado “Dicionário dos Negacionismos do Brasil”. O livro, editado pela Cepe, reúne 100 verbetes assinados por pesquisadores das mais diversas áreas científicas, que aprofundam as consequências de negação coletiva em áreas importantes para a sociedade como ciência, história, educação e meio ambiente.
 



Verbetes e seus autores
A publicação é organizada pelos pesquisadores José Luiz Ratton e José Szwako, que abasteceram as 336 páginas com textos como “Academia Brasileira de Ciência (ABC)”, por Dominichi Miranda de Sá, pesquisadora da Fiocruz; “Artes visuais”, por Júlio Cavani (jornalista, realizador e escritor) e José Luiz Ratton (professor e pesquisador da UFPE); “Comitê científico da covid-19 - Nordeste”, por Sérgio M. Rezende, ex- Ministro da Ciência e Tecnologia (2005-2010); “China”, por Marco Cepik, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); “Aids e negacionismo”, por Gustavo Gomes da Costa, professor e pesquisador da UFPE, entre outros.

'Dicionado“Dicionário dos Negacionismos do Brasil' (Foto: Divulgação)



Coletivo e individual
Para o entendimento da obra, os autores destacam um esclarecimento fundamental em torno de atitudes individuais e coletivas
.“O processo de negação é algo ao qual todos estamos sujeitos individualmente. Já o negacionismo é coletivo e costuma se espalhar em tempos de guerra ou de crise, incentivado por indivíduos com alguma influência sobre a coletividade”, declara Ratton, professor de sociologia da UFPE. É o caso do filósofo Olavo de Carvalho, do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do seu estrategista, Steve Bannon. Segundo o sociólogo, é através desses chamados “gurus” que a democracia é posta na berlinda, a partir de informações que buscam interesses das indústrias. 

Ainda para os autores, existe a intenção de gerar insegurança e dúvida em relação a informações importantes. “A ampla variedade de negacionismos contemporâneos (científicos, políticos, raciais, de gênero e históricos, por exemplo) é fruto das estratégias de grupos hegemônicos ressentidos com a perda relativa de status e a expansão de direitos de coletividades historicamente oprimidas”, escrevem Ratton e Szwako - que é doutor em ciências sociais pela Unicamp - logo na introdução do dicionário.


Busca por informações

A lista de negativas é extensa. Passa pela não existência da tortura e ditadura civil-militar, o impacto climático e ambiental do aquecimento global, a pandemia de covid-19 e a eficácia da vacina, o racismo e o sexismo e até mesmo terraplanismo. “Negar fatos difundidos pela ciência retira sua credibilidade e incorre em uma tentativa de revisionismo da história e de apagamento da memória histórica. A tecnologia empregada em redes sociais como Twitter, Youtube e Facebook proporciona um enorme alcance de público das fake news, também chamadas de pós-verdades”, explica Ratton. 

Os temas exigem aprofundamento das informações, paciência para o diálogo e busca por notícias em fontes seguras de divulgação. Os próprios verbetes inseridos no livro permitem a ampla discussão em torno das argumentações e seus devidos dados. Uma intenção de aprimorar o debate público brasileiro, a fim de construir instituições mais sólidas.

Serviço
"Dicionário dos Negacionismos do Brasil "
Cepe Editora
Preço: R$ 60 (livro impresso); R$ 24 (E-book)

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