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Didi e Dedé se reencontram em “Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood”

Filme se preocupa em resgatar o tipo de humor simples que Didi vem fazendo nos últimos anos

Remanescentes da trupe se juntam a Letícia Colin, que interpreta a personagem Karina nesta nova produçãoRemanescentes da trupe se juntam a Letícia Colin, que interpreta a personagem Karina nesta nova produção - Foto: Downtown Filmes/Divulgação

 

Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo, eternizado por Renato Aragão, é, provavelmente, conhecido pelas gerações mais novas por programas televisivos como “A Turma do Didi”. Mas quem acompanha o humor inocente e quase infantil das últimas aparições do personagem talvez não lembre (ou não conheça) o espírito anarquista do trabalho que o consagrou.

“Os Trapalhões” foi fenômeno na TV de 1977 a 1993, encontrando sucesso maior ainda na telona, com a química perfeita entre Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, em produções como “O Cangaceiro Trapalhão” (1983) e “Os Saltimbancos Trapalhões” (1981), cuja continuação/reboot estreia nesta quinta-feira (19).

Apesar do título, “Os Saltimbancos Trapalhões - Rumo a Hollywood” - 50º filme de Renato Aragão - é uma trama despretensiosa. Em momento algum a tal viagem à Hollywood é discutida. Em vez disso, o filme se preocupa em resgatar o tipo de humor simples que Didi vem fazendo nos últimos anos, mas com um diferencial: o retorno de Dedé Santana e as referências ao quarteto.

Mesmo após 19 anos sem contracenar em uma produção no cinema, os dois ainda mantém uma química impecável. Didi, o atrapalhado, e Dedé, quase sempre servindo de escada para as piadas do primeiro. “Rumo a Hollywood” é, além de uma continuação, uma espécie de reboot na trama, não sendo necessário conhecimento da obra original. Para quem é fã, é um brinde de nostalgia ver Renato Aragão e elenco entoando canções inspiradas no musical “Os Saltimbancos”.

Na nova trama, o circo Sumatra está à beira da falência após a proibição de espetáculos envolvendo animais (o que é sempre destacado pelos personagens como uma coisa boa). É então que o vilanesco Assis Satã (Marcos Frota) decide passar a alugar o picadeiro para os eventos de um prefeito corrupto. Cabe então a Didi e à jovem Karina (Letícia Colin) bolar um plano para que os espetáculos voltem a ser o principal atrativo do circo.

Mas se o carisma de Didi e Dedé salva o filme de ser uma produção quase indistinguível das últimas produções de Renato, o mesmo não pode se dizer do elenco. Mesmo com nomes como Letícia Colin, Marcos Frota, Alinne Moraes e Nelson Freitas, tudo parece muito caricato e fantasioso, quando não desnecessário.

No fim das contas, o filme parece uma tentativa de mesclar o humor dos anos 1970 com a estética mais infantil do Didi de hoje em dia, até, talvez, como forma de introdução aos novos fãs. Se visto dessa forma, o filme cumpre o que promete, com os melhores momentos sendo justamente as referências ao trabalho anterior, além das justas homenagens a Mussum e Zacarias, já falecidos, e os momentos sinceros de emoção de Didi e Dedé.

 

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