Diretor de "As duas Irenes" se inspirou em história familiar

Filme, que estreia nesta quinta-feira, é o primeiro longa-metragem do cineasta Fabio Meira

Fabio Meira, diretorFabio Meira, diretor - Foto: Elisa Mendes/Divulgação

A produção nacional "As duas Irenes" estará, a partir desta quinta-feira (14), em dois cinemas do Recife: o tradicional São Luiz - na rua da Aurora da Boa Vista - e no Cinema do Museu - na avenida 17 de Agosto de Casa Forte. O filme retrata o processo de amadurecimento da adolescente Irene, que, aos 13 anos, descobre uma irmã, da mesma idade e com o mesmo nome. 

A ideia surgiu a partir de uma história que corre em meio a sua própria família, que o avô do diretor Fabio Meira - também roteirista do longa-metragem - tinha duas filhas com o mesmo nome. O relato completo do processo de criação da obra e mais sobre o filme o diretor comenta em entrevista à Folha de Pernambuco.

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Como foi o processo de escrita? Como criou o roteiro?
O ponto de partida foi uma história familiar, rumores que escutei quando era adolescente. Uma história como a de Irene, que meu avô tinha duas filhas com o mesmo nome. Muito tempo depois, quando fui convidado a fazer um curso de roteiro com o escritor Gabriel Garcia Marquez, alguém contou uma história sobre a morte de um pai e essa minha história cruzou na minha cabeça. Naquele momento, não só decidi que o filme seria sobre isso como também decidi o final.

Como foi a transição para o longa-metragem?

Fiz nove curtas. A transição foi também como roteirista. Em 2013, estreou no Festival do Rio "De Menor", que escrevi o roteiro. Escrevi também "Paterno", que (o pernambucano Marcelo) Lordello começou a filmar. Agora estou escrevendo para Karim Aïnouz e Marcelo Gomes. Em relação à filmagem, uma coisa que fiz foi me preparar fisicamente. Até então, eu não tinha filmado mais do que quatro diárias. Sabia que seria uma jornada de força. Acho que o tipo de filme que me interessa não cabe em histórias curtas.

As atuações das "Irenes" são pontos fortes do filme. Como foi o trabalho com o elenco jovem? E os adultos?
O que me deu mais orgulho nesse filme foi o trabalho dos atores. O elenco é muito bom. Os adultos deram o tom, com atores mais experientes como Marco Ricca, Inês Peixoto, Susana Ribeiro. Com as meninas, não dei o roteiro, não queria que elas chegassem ao set com as frases com um tom de televisão. Os pais delas leram o roteiro. Cada dia eu chegava ao set e explicava a situação. Elas improvisavam e voltavam para o roteiro, mas com coisas novas. São muito inteligentes e especiais.

O filme trata do processo de amadurecer e entender as complexidades da vida adulta. O que há nesse tema, nas sombras de cada um, que lhe interessa?
Me interessa muito a questão do lado escuro, as sombras dos seres humanos. Somos feitos de sombras. Irene está nesse processo de transformação. Ela tem o lado solar e também as sombras. O que tem de interessante nessa transição é que é o limite da vida infantil e adulta. Irene está nessa transição: começa a entender as condições sociais dos adultos, a hipocrisia, as convenções. É o momento em que a gente decide quem é e quem quer ser, cria referências, se afirma na nossa personalidade.

 

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