Estreia

Diretora Alice Furtado fala sobre 'Sem seu sangue', filme em cartaz no Recife

Após exibições em salas de cinema, longa-metragem entrará no catálogo da Netflix

"Sem seu sangue" aborda o primeiro amor"Sem seu sangue" aborda o primeiro amor - Foto: Felipe Quintelas/Divulgação

Em cartaz no Cinema da Fundação, no Derby, a partir desta quinta-feira (29), “Sem seu sangue” é o primeiro longa-metragem de Alice Furtado. A cineasta carioca faz a sua estreia com um filme que aborda o amor juvenil a partir de uma perspectiva sobrenatural.

O enredo é guiado pelas ações de Silvia (Luiza Kosovski), uma adolescente que vive a sua primeira grande paixão ao lado de Artur (Juan Paiva). O garoto é hemofílico e, por isso, seu sangue não coagula normalmente. Ele acaba não sobrevivendo a um grave acidente, fazendo com que Silvia passe a lidar com o luto.

O filme foi gravado em 2018, mas a ideia surgiu para Alice ainda em 2012. Na época, ela passava por uma residência na França e só em 2014, ao retornar ao Brasil, começou a desenvolver o projeto, que tem produção da Estúdio Giz. 

“Foi uma ideia que nasceu de questionamentos pessoais sobre amor, desejo e, principalmente, o que acontece com o corpo quando você está mergulhado em uma relação e, de repente, se vê só”, explica a diretora, que divide o roteiro da obra com Leonardo Levis. 

A partir de determinado momento do longa, o pano de fundo romântico passa a dar lugar aos elementos de um filme de gênero. Alice conta que, na época em que desenvolvia a trama, estava muito interessada no cinema de horror, especialmente os clássicos dos anos 1940. A cineasta resolveu, então, misturar os interesses. 

“Para mim, há uma questão dos filmes de terror serem muito sensuais. O desejo e o medo são duas situações muito próximas uma da outra e conversam de uma forma que sempre achei muito interessante. Isso está em filmes que são referências para mim e foi por esse caminho que eu resolvi trabalhar”, comenta. 

Alice Furtado, diretora de cinemaAlice Furtado dirige seu primeiro longa (Foto: Divulgação)

Na trama, Silvia não aceita a morte do namorado e procura uma maneira de trazê-lo de volta. Os filmes de zumbi são reverenciados pela diretora, mas não sem uma dose de problematização. A apropriação cultural é colocada em debate quando a garota encontra um exemplar do livro “A Ilha da Magia”, de William B. Seabrook. A obra foi a primeira a retratar a cultura do vodu haitiano para o resto do mundo, ainda que de uma maneira sensacionalista.

“Não é algo que quem assiste só na superfície consegue captar, mas a gente tentou colocar em evidência o fato que a Silvia tenta buscar os símbolos de outra cultura de uma forma muito inconsequente e leviana. O que ela faz não é um ritual de uma religião específica, mas sim uma apropriação muito problemática”, observa.

Desde o ano passado, “Sem seu sangue” vem passando por eventos como o Festival de Cannes, a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival Internacional de Cinema do Rio. Depois de estrear em algumas salas de cinema já reabertas pelo Brasil, deve entrar no catálogo da Netflix no dia 20 de novembro. 

“Esse filme se potencializa muito na sala de cinema. Ele tem uma dinâmica que você só consegue entender exatamente nesse espaço. Mas também acho muito interessante ir para o streaming, porque eu sempre quis dialogar com o público jovem, que não está indo muito ao cinema atualmente. Na época que o longa foi aos festivais, tentei muito levar grupos de escolas para a plateia, mas nunca consegui. Com a Netflix, eu sei que eles terão acesso”, diz.

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