Discussão necessária e contundente em “Estrelas além do tempo”

Filme, que estreia hoje nas salas de cinema, envolve questões de gênero e de raça

Octavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe estão à frente da produçãoOctavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe estão à frente da produção - Foto: Fox Film do Brasil/divulgação

 

“Estrelas além do tempo”, que estreia nesta quinta-feira (2), é baseado numa história real, narrada no livro “Hidden Figures”, de Margot Lee Shetterly. Dirigido e adaptado por Theodore Melfi, ele nos leva para a Virgínia de 1963, em um Estados Unidos racista e segregacionista que remonta dias de apartheid. Nesse cenário, nos é apresentada a história de um trio poderoso de mulheres que buscam conseguir o reconhecimento de seu trabalho em uma NASA branca e dominada por homens, enquanto se tornam decisivas na corrida espacial que se desenrolava em meio à Guerra Fria.

Elas são a matemática Ka­the­­­rine Johnson, a engenheira Mary Jackson e a técnica de computadores Doro­thy Vaughan, interpretadas por Taraji P. Henson, Janelle Monáe e Octavia Spencer, respectivamente. Taraji, em sua atuação, impecável nos faz deparar não apenas com um mero personagem fictício, mas também com o retrato de sua própria cultura e de seu orgulho de ser mulher negra. Ela, ao lado de suas colegas coprotagonistas, são as responsáveis por projetar “Estrelas além do tempo” para ser um dos filmes do circuito comercial mais contundentes do ano sobre temática racial.

E o reconhecimento do filme já pode ser visto com os números que alcançou: é o segundo filme apenas com protagonistas mulheres a ficar por duas semanas no topo das bilheterias americanas, tendo arrecadado mais de US$ 20 milhões. O primeiro filme foi “Histórias cruzadas”, em 2011. “Estrelas além do tempo” também foi indicada para o Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Melhor Roteiro Adaptado.

A película faz um recorte histórico que se estende para além do tempo e do contexto que aborda. Mesmo mostrando a falta de espaço para mulheres negras, o filme poderia muito bem retratar os dias atuais, nos quais a falta de oportunidade se dá, inclusive, na própria indústria do cinema. “Estrelas além do tempo” se mostra como uma obra necessária hoje, assim como o teria sido há dez ou 20 anos, e ainda o será, no futuro.

O filme é um reflexo da nossa sociedade, que mesmo diante do mito de uma democracia racial, ainda se vê com o racismo impregnado, algumas vezes mais sutil, outras nem tanto, nas mais variadas instâncias do dia a dia, refletindo uma sociedade que inferioriza as mulheres negras. “Estrelas além do tempo” nos coloca de frente com questões que podemos achar absurdas para os dias atuais, mas apenas para dizer que ainda não as ultrapassamos - e parecemos estar longe de superá-las.

 

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