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Artes Visuais

Livro "Diva: os primeiros 30 dias" analisa a repercussão da famosa escultura de Juliana Notari

Publicação, que será lançada no Arte.PE, relembra os mihares de comentários, publicações e memes sobre a obra em formato de vulva

Juliana Notari documentou publicações sobre "Diva" para o livro Juliana Notari documentou publicações sobre "Diva" para o livro  - Foto: Divulgação

Quando publicou em seu perfil no Facebook, em dezembro de 2020, registros do processo de criação da obra “Diva”, a artista visual Juliana Notari não imaginava o tamanho da repercussão que estaria por vir. Compartilhadas milhares de vezes nas redes sociais, as imagens provocaram debates, cancelamentos, matérias de jornais e muitos memes.  

Cinco anos depois do fenômeno artístico, ele volta a ser discutido. Agora, ganha registro editorial através do livro “Diva: os primeiros 30 dias”, com lançamento neste domingo (12), às 15h, durante o último dia da Art.PE, no Recife Expo Center. Na ocasião, Notari apresenta palestra ao lado das outras duas organizadoras da publicação, Clarissa Diniz e Inês Maia.

A obra de arte em questão é uma escultura de grandes proporções, escavada por mais de 20 homens no solo da Usina de Arte, em Água Preta, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Medindo 33 metros de altura, por 16 metros de comprimento e 6 metros de profundidade, a instalação tem o formato de vulva, mas também pode ser lida como uma ferida aberta.
 

A criação - que remete à violência histórica sofrida pelos corpos femininos - conseguiu “furar a bolha”, movimentando discussões sobre elitismo, racismo, desigualdade social, meio ambiente e questões de gênero no mundo da arte. Notari se viu bombardeada por críticas dos dois lados do espectro político, algumas mais carregadas de ódio do que outras. 

“Realmente, foi um susto”, afirma a artista, em entrevista à Folha de Pernambuco, ao relembrar os ataques recebidos na época. Para Juliana, o episódio marcou definitivamente a sua carreira. “Meu trabalho acabou ficando muito associado a essa imagem e o restante da minha produção de mais de 20 anos ficou um pouco à parte. É o que acontece com todo artista que tem uma obra muito reconhecida”, pondera. 
 

Com o lançamento do livro, a artista sente que está finalmente encerrando um ciclo, ainda que a obra siga gerando debates no meio acadêmico. “Eu me senti na obrigação de fazer esse documento, que demandou muito trabalho e tempo. É como se eu estivesse terminando ‘Diva’ depois de cinco anos e, agora, me sentindo livre”, diz. 

Ao longo de 250 páginas, o livro reúne posts em redes sociais, além de matérias na imprensa nacional e estrangeira, incluindo veículos como The Guardian e Le Monde. O impressionante volume de material dá uma ideia do alcance da polêmica, tornando ‘Diva’ uma das obras de arte brasileiras mais comentadas da última década. 

Realizada de forma independente, com recursos do Funcultura PE e do SIC – Sistema de Incentivo à Cultura, a publicação tem tiragem impressa de 1.000 exemplares. A distribuição será gratuita, destinada a autores, colaboradores, bibliotecas, instituições de arte e público em geral.

No ensaio intitulado “Por uma teoria Diva da arte”, o pesquisador Cayo Honorato analisa a repercussão como parte integrante da própria obra. Além dele, outros articulistas assinam textos presentes na publicação, como Fabiana Moraes, Eliane Brum e Mariana Franco. 

A lista de autores convidados a escreverem para o livro inclui tanto defensores da obra como aqueles que foram à internet criticá-la. “A gente quis contemplar a reverberação da obra como ela aconteceu, com muito cuidado para não ser uma abordagem autoindulgente”, explica. 

Serviço:
Lançamento do livro “Diva: os primeiros 30 dias”, no Art.PE
Quando: neste domingo (12), às 15h
Onde: Recife Expo Center - Cais Santa Rita, 156, São José
Entrada gratuita

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