Documentário 'Ex-pajé' propõe debates sobre índios no Brasil

Diretor Luiz Bolognesi vem ao Recife para debater 'Ex-pajé', documentário que sugere reflexões sobre a cultura indígena no Brasil atual. A sessão será nesta sexta-feira (11), no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Derby), às 19h30

Cena do documentário 'Ex-pajé', de Luiz BolognesiCena do documentário 'Ex-pajé', de Luiz Bolognesi - Foto: Divulgação

Luiz Bolognesi pretendia fazer um filme sobre pajés, propondo reflexões sobre os índios e o Brasil. "Minha relação com questões indígenas é antiga", explica Luiz. "Estudei antropologia na universidade, fiz filmes sobre o genocídio do povo Guarani-Kaiowá, além da animação 'Uma história de amor e fúria', que traz o ponto de vista tupinambá", detalha.

Mas durante a pesquisa, a ideia foi se modificando: se tornou um relato sobre o pajé Perpera Suruí. A pré-estreia do documentário "Ex-pajé" será nesta sexta-feira (11), às 19h30, no Cinema da Fundação (na unidade do Derby), com presença do diretor, que falará com o público após a sessão.

"Queria fazer um documentário sobre pajés, só que no meio da pesquisa, quando visitei um local e perguntei sobre o pajé, disseram que não tinha mais pajé, tinha apenas o ex-pajé. E me trouxeram o Perpera", lembra Luiz, que visitou o território indígena Paiter Suruí, na fronteira de Rondônia com Mato Grosso.

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"Ele usava uma roupa maior que ele, um sapato grande, estava constrangido. Nunca vi um ex-pajé. Já vi ex-ministro, ex-gerente. Ele usava aquelas roupas não porque queria, mas porque era constrangido a usar. Fiquei encantado e angustiado. Resolvi fazer não um documentário sobre pajés, mas seguir esse personagem", detalha.

O documentário recorre a Perpera e a outros moradores do território. "Não tinha um roteiro prévio. Construí a narrativa com eles. Foram duas maneiras de filmar: flagrantes do que acontecia e encenações a partir do que eles nos contavam", comenta Luiz.

"O documentário tem narrativa de ficção. Sou roteirista, não tem jeito. Na hora de contar a história, decidimos que não teria entrevista, seriam acontecimentos que acabam parecendo uma ficção, mas é tudo real. Ou estava acontecendo naquele momento ou aconteceu uma semana antes e eles encenaram", ressalta.

A importância do filme transcende as fronteiras do cinema: discute preconceito e injustiças através da maneira como as comunidades indígenas são tratadas. "O pastor do território tinha virado a comunidade contra Perpera", diz o diretor.

"Infelizmente não acontece só com eles, mas no Brasil inteiro. A igreja evangélica tem bancada no congresso, tem partido político, estão tomando conta da Funai [Fundação Nacional do Índio]. Eles têm o projeto de evangelizar todas as aldeias, e isso passa por uma perseguição sistemática aos pajés. O que está acontecendo é violento e desumano e vai destruir as culturas indígenas do país", argumenta.

Cotação: bom


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