Cinema

Documentário 'Gyuri' conta a trajetória de Claudia Andujar

Filme da diretora pernambucana Mariana Lacerda pode ser visto na edição online do festival É Tudo Verdade

A defesa do povo Yanomami guiou a carreira de Claudia AndujarA defesa do povo Yanomami guiou a carreira de Claudia Andujar - Foto: Divulgação

A fotógrafa suíça Claudia Andujar, de 89 anos, fugiu da perseguição nazista quando criança e, após se exilar no Brasil, dedicou grande parte de sua vida a salvaguardar o povo Yanomami. Essa ligação entre a artista de origem judia e a população índigena - que têm em comum o traço da luta pela sobrevivência em suas histórias - é exposta no filme “Gyuri”, primeiro longa-metragem da diretora pernambucana Mariana Lacerda.

O documentário integra a programação do festival É Tudo Verdade, que em sua 25ª edição ocorre de forma on-line. A exibição é gratuita, através do site do Itaú Cultural, até esta segunda-feira (5). Antes da pandemia, a produção chegou a ser apresentada na França, em versão reduzida, acompanhando a exposição “Claudia Andujar – La Lutte Yanomami”. Ainda neste mês, a mostra deve passar por Milão, na Itália.

TEASER_GYURI from Mariana Lacerda on Vimeo.

“É um filme que trata do encontro entre pessoas e mundos diferentes. Para mim, cinema também tem a ver com essa troca. Por isso, é muito triste estrear um filme assim, de forma virtual. Por outro lado, não posso deixar de oferecer o melhor ao longa, que neste momento é o olhar das pessoas em casa”, comenta Mariana.

Nos primeiros minutos de “Gyuri”, Claudia Andujar fala sobre o passado, dividindo momentos da infância e os horrores vividos na Segunda Guerra Mundial com o filósofo húngaro Peter Pál Pelbart. A fotógrafa conversa em húngaro, sua língua natal, mas com visível dificuldade. 

“Eu tinha o desejo de ouvir a Claudia no idioma em que os fatos que ela viveu aconteceram. Queria sentir como a perda do território se expressa na perda da própria língua. Filmei de um jeito muito simples, sem iluminação, e aconteceu algo muito mágico naquele momento”, conta a cineasta, que gravou a primeira parte do filme em 2015, na casa da artista, em São Paulo.

Para conseguir levar as gravações até a Amazônia, Mariana inscreveu o projeto em editais de financiamento. Contemplada com o Funcultura e o Rumos Itaú Cultural, a diretora partiu em 2018 para registrar o reencontro entre Claudia e os Yanomamis. No local, a fotógrafa foi recebida pelo xamã Davi Kopenawa e o ativista Carlo Zacquini. “Optei por viajar com o mínimo de equipamento possível e uma equipe que me fosse muito familiar, porque queria causar o menor impacto na aldeia e criar um ambiente de afeto entre todos”, compartilha. 

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