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Documentário interliga auge de Pelé com a história do Brasil

Netflix conta a história do rei do futebol durante a ditadura militar, período em que ele conquista o tricampeonato mundial

Documentário conta história de PeléDocumentário conta história de Pelé - Foto: Netflix/Cortesia

Maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé já apareceu em várias produções cinematográficas que mostraram sua genialidade no esporte mais popular do mundo. Entretanto, o ícone esportivo, que participou diretamente da história do País, ainda tem inspirado roteiros para além da sua atuação no futebol. É o exemplo do documentário “Pelé”, que tem estreia mundial, nesta terça-feira (23), na Netflix.

A produção audiovisual da plataforma de streaming tem direção dos britânicos David Tryhorn e Ben Nicholas, e produção do cineasta Kevin Macdonald. Os diretores foram responsáveis pelo filme da conquista da Copa América 2019 pela seleção brasileira de Tite. Este último foi vencedor do Oscar com o documentário “Munique, 1972: Um Dia em Setembro”.

Pode-se imaginar que uma esfera futebolística poderia ser criada a partir das produções dos envolvidos com o filme, mas os primeiros minutos já mostram como o documentário quer firmar um entrelace do futebol com a política brasileira. O registro começa com cenas de glória do auge do “Rei”, com arquivos audiovisuais da imprensa internacional, mostrando como Pelé foi um fenômeno entre 1958 e 1970 - período que entra em destaque na narrativa.

Contudo, uma cena silenciosa corta para o contraste com o que ele vive hoje. Pelé surge em um andador, com dificuldades de locomoção, logo após o instante que mostra as suas grandes habilidades como um super atleta. Os diretores respeitam esses silêncios, a voz pausada e uma entrevista delicada como poucas vezes vista com um ícone dos esportes como é Edson Arantes do Nascimento.

A grande narrativa do filme surge a partir disso. Além da história dele, logo na infância, com o futebol, quer mostrar como o jogador se deu com a pressão por posicionamento político num momento conturbado como foi a Ditadura Militar. Em um dos trechos, ele diz que não queria jogar a Copa do Mundo de 1970 do México, campeonato que fez a seleção brasileira campeã, depois da pressão da Copa de 1966, da qual ele saiu lesionado.


A competição do tricampeonato brasileiro foi muito importante para manter a imagem positiva do regime no mundo. Em meio a torturas, mortes e censura, a seleção campeã serviu como propaganda nacionalista depois do fracasso de 1966. Quem confirma é o ex-ministro da economia Antônio Delfim Netto, aos 92 anos, um dos grandes componentes da seleção documental.

São entrevistados no filme, ainda, a irmã do ex-atleta e o seu tio, que contextualizam a infância pobre do jogador. O cantor Gilberto Gil e Benedita da Silva realçam a figura dele enquanto homem negro brasileiro. Também aparece em cena parte do grande time do Santos na década de 1960, em um raro registro de encontro de Pelé com eles, numa cadeira de rodas. Porém, o grande legado que o filme quer passar ou registrar do jogador é a cobrança de sua posição política durante sua trajetória, com cenas mostrando a história do Brasil.

SERVIÇO

Estreia do documentário "Pelé" 
Plataforma: Netflix
Quando: disponível a partir de 23/01

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