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Dois livros infantis com selo da Cepe

É num dia quente, muito quente, que se passa a história. O sol se espreguiça e o calor incomoda meio mundo: a terra, um pássaro grande, os peixes, as casas e suas telhas.

Alex RibeiroAlex Ribeiro - Foto: Divulgação Facebook

O que acontece quando um poeta - sem pieguices, versos rasos ou literatices - escreve um livro infantil? Uma história fluida, imaginativa, musical até, como “A menina do picolé azul”, assinada pelo cearense Jorge Pieiro, com ilustrações de Adriel Contieri, e recentemente lançada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). 

É num dia quente, muito quente, que se passa a história. O sol se espreguiça e o calor incomoda meio mundo: a terra, um pássaro grande, os peixes, as casas e suas telhas.

Abanando-se no bafo quente do ventilador, uma menininha é socorrida pelo carrinho de picolé que vem descendo pela rua - “tem tim titolé tim”. “Seu homem, por favor, pode me dar um picolé azul?”, diz a pequena, acordando todas as crianças da rua, que correm também atrás da iguaria.
E sem perder a linha, nesse livrinho de 30 páginas, Piero poetisa o anoitecer, quando a Terra vai voltando à paz e pede que o universo beije as águas do mar. “Vai universo. Faz como a menininha e seu picolé! Beija, beija, este mar azul!”, escreve. Um exemplo de construção bonita e suave, leitura para os filhos.
Urso Polar
Escrever para crianças não requer lógica, coerência ou realidade, mas exige um cuidado redrobrado com as lições que o livro deixará, com o sentimento que transmitirá e com seu papel de ajudar a fazer surgir, dali, um leitor. “Úrsula e o urso polar”, de Henrique Vale, é um título que chama atenção, feliz pela estética, com lindas ilustrações, mas que peca no enredo que traz uma menina e seu encontro inusitado com um urso polar.

Primeiro, as referências aos pais da criança: a mãe é uma dona de casa que, na maioria dos casos, reclama e faz serviços domésticos (perfil que em nada contribui para a condução da história); já o pai é um biólogo que pouco aparece, que não é usado para ensinar sobre os animais, apesar da história cheia deles.
Outro detalhe é a abordagem da morte. O urso polar come todos os outros animais de Úrsula e vai crescendo, até ficar do tamanho de um dinossauro. Lúdico, não fosse a falta de sentimento da menina cada vez que um dos bichos era devorado. Não que haja uma compreensão fria da cadeia alimentar, é como se ela simplesmente não se importasse.

Por fim, falta desfecho, uma moral, uma lição que fique para a memória afetiva do pequeno leitor. Uma boa ideia mal conduzida. Uma pena.

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