Audiovisual

Doramas e k-dramas: produções televisivas asiáticas ganham força no Brasil

Produções de países como Coreia do Sul e Japão estão cada vez mais presentes nas plataformas de streaming

"Tudo Bem Não Ser Normal": k-drama disponível na Netflix"Tudo Bem Não Ser Normal": k-drama disponível na Netflix - Foto: Divulgação

A inegável febre de grupos como BTS, Blackpink e Exo tem ajudado a projetar a Coreia do Sul no cenário global cada vez mais. Mas o k-pop não é o único expoente da Hallyu, como é chamada a onda cultural sul-coreana. Os dramas televisivos produzidos no país asiático também têm feito um enorme sucesso e conquistado fãs ao redor do mundo. 

Mesmo diante de tantas diferenças culturais, os brasileiros vêm se destacando no consumo das produções audiovisuais sul-coreanas. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul no segundo semestre de 2020 mostra que o Brasil é o terceiro país onde a audiência dos k-dramas mais cresceu durante a pandemia, atrás apenas da Malásia e da Tailândia. 
 


Apesar do seu atual protagonismo no mercado mundial, a Coreia do Sul não é a única a criar e exportar dramas televisivos de grande repercussão. O formato é comum também a outros países do leste asiático, como Japão, China, Tailândia e Taiwan. 

Nem tudo é dorama

Há quem utilize o termo “dorama” (que faz referência à forma como a palavra “drama” é pronunciado no idioma japonês) para agrupar as produções de todos esses lugares. Essa classificação generalista, no entanto, não é a mais adequada, de acordo com a pesquisadora Daniela Mazur, doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que estuda a cultura pop asiática.

“Levando em conta o passado imperialista do Japão, especialmente para o leste e sudeste asiático, generalizar toda uma indústria regional através de um termo japonês acaba trazendo questões históricas que são muito dolorosas e ainda recentes para esses países. Além disso, os dramas são formatos televisivos, com dinâmicas que podem variar, e não um gênero em si”, explica Mazur, que integra o grupo de pesquisa MidiÁsia, ligado à UFF. 
 


Os tais doramas surgiram no contexto da televisão japonesa, entre as décadas de 1950 e 1960, e acabaram servindo como modelo para as nações vizinhas. Em cada país, o formato adquiriu características próprias e, por isso, essas produções não devem ser confundidas. Assim como os dramas coreanos são chamados de k-dramas, há os c-dramas (China), tw-dramas (Taiwan) e por aí vai. 

Os dramas asiáticos possuem um formato híbrido, que figura entre a telenovela e a série. Assim como nas nossas novelas, k-dramas e doramas não costumam ter mais de uma temporada. O tempo no ar, no entanto, é bem menor. A maioria tem entre 16 e 20 episódios, com pouco mais de uma hora de duração. De modo parecido com as séries, geralmente, as tramas são desenvolvidas em torno de um único núcleo. Os gêneros são os mais variados, desde as comédias românticas até as fantasias, passando por dramas históricos e enredos de ação. 

Streamings impulsionaram o consumo

Há mais de uma década, essas produções já circulavam pela internet brasileira através do trabalho dos chamados “fansubs”, fãs que - de uma maneira não oficial - traduzem, legendam e disponibilizam as obras gratuitamente. Com o crescimento da presença das plataformas de streaming, esse consumo foi facilitado e se tornou ainda maior. 

“Só na Netflix nós temos hoje mais de 190 produtos sul-coreanos disponíveis no catálogo brasileiro. É quase impossível fingir que esses conteúdos não existem. Um exemplo é o sucesso de ‘Round 6’, que acabou levando as pessoas a se interessarem por outros títulos da mesma nacionalidade”, analisa Daniela Mazur. Além do serviço de streaming, outras plataformas que possuem grandes acervos de dramas asiáticos acessíveis no Brasil são a Viki e a Kocowa
 


Krystal Urbano, que também faz parte do MidÁsia, dedica sua pesquisa de pós-doutorado - ainda em andamento - a levantar o perfil dos consumidores de doramas e k-dramas no Brasil. “Há uma visão geral de que esse tipo de produto é visto apenas por adolescentes. Ainda estou no começo do meu mapeamento, mas os dados preliminares sugerem um público mais amplo, com pessoas maiores de 50 anos de olho nessas produções também”, aponta. 

Formato abraçado pelo Brasil

O apelo dos k-dramas entre os espectadores brasileiros levou a plataforma de streaming HBO Max a produzir por aqui uma série inspirada no formato asiático. Em fase de gravações, “Além do Guarda-Roupa” será protagonizado por Sharon Blanche, atriz brasileira filha de pais coreanos, além de Kim Woojin, Jin Kwon, Lee Min Wook e Jae Chan, astros da Coreia do Sul. 

A popularidade de obras televisivas de países como Coreia do Sul e Japão pode ajudar a desfazer estereótipos relacionados às comunidades asiáticas que estão impregnados no imaginário brasileiro, além de contribuir para uma maior diversidade de conteúdo audiovisual acessado pelo público. 

“Tendo em vista todos os ataques que a comunidade asiática no Brasil sofreu, especialmente durante a pandemia, eu olho com bons olhos o aumento na distribuição desses produtos aqui no Brasil. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas acredito que os k-dramas e doramas acabam rompendo com esse nosso olhar eurocêntrico, que dita muitas vezes os nossos hábitos de consumo midiático”, defende Krystal. 

Dramas asiáticos para assistir:

“Beleza Verdadeira” (2021) 
País: Coreia do Sul
Onde ver: Viki

“Os Indomáveis” (2019)
País: China
Onde ver: Netflix

“Alice in Borderland” (2020)
País: Japão 
Onde ver: Netflix

"Descendentes do Sol” (2016)
País: Coreia do Sul
Onde ver: Viki

“Tudo Bem Não Ser Normal” (2020)
País: Coreia do Sul
Onde ver: Netflix 

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