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Cinema

'Edifício Gagarine' é tratado poético sobre pertencimento e vida em comunidade

Em cartaz no Recife, filme francês aborda a demolição de um conjunto habitacional em Paris

"Edifício Gagarine""Edifício Gagarine" - Foto: Divulgação

Após estrear em algumas cidades brasileiras no mês de agosto, o filme francês “Edifício Gagarine” chega aos cinemas do Recife nesta quinta-feira (16). Dirigido por Fanny Liatard e Jérémy Trouilh, o longa-metragem é uma ficção baseada em uma história real, mas com algumas pitadas de fantasia. 

O enredo tem como ponto de partida a demolição do Cité Gagarine, um gigantesco conjunto habitacional com 370 apartamentos, construído nos anos 1960 nos arredores de Paris. As cenas iniciais do filme mostram as filmagens de sua inauguração, que contou com a presença do astronauta Yuri Gagarin. Não por acaso, a construção foi batizada com o nome do soviético, que foi o primeiro homem a pisar na lua. 

Enquanto esteve de pé, o edifício abrigou famílias menos abastadas, especialmente imigrantes, tornando-se um espaço marginalizado. A decisão de derrubá-lo, em função dos seus problemas estruturais, veio em 2014, sendo concretizada em 2019. O filme de Liatard e Trouilh, que chegaram  a trabalhar entrevistando os moradores desalojados, propõe um exercício de imaginação sobre a relação dessas pessoas com o local. 
 

A trama apresenta Youri (Alséni Bathily), um adolescente que nasceu e cresceu no conjunto habitacional, recebendo de seus pais o mesmo nome do soviético que inspirou o nome do espaço. Órfão de pai, ele vive sozinho desde que a mãe resolveu construir uma nova família. Com a ajuda dos amigos Diana (Lyna Khoudri) e Houssam (Jamil McCraven), além de outros vizinhos, ele busca maneiras de salvar o único lugar que reconhece como casa. 

A relação de Youri com o Gagarine é quase simbiótica. Ele conhece como ninguém cada canto do edifício, assim como a rotina de seus habitantes. É neste ambiente que ele alimenta o sonho de seu astronauta e chega a transformá-lo em seu próprio foguete, completamente envolvido por sua utopia espacial. O filme termina como um tratado poético sobre a vida em comunidade e o sentimento de pertencimento, mostrando que tijolos podem ser destruídos, mas os laços criados coletivamente permanecem.

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